Sacramentos · 5º sacramento
Unção dos Enfermos
Sacramento de cura que confia os doentes graves e os idosos ao Senhor sofredor e glorificado, para alívio do corpo e salvação da alma, conferido com óleo abençoado pelo bispo.

- Matéria
- Óleo dos enfermos, abençoado pelo bispo (ou, em caso de necessidade, pelo próprio padre celebrante)
- Forma
- «Por esta santa unção e por sua bondosíssima misericórdia, te ajude o Senhor com a graça do Espírito Santo...»
- Ministro
- Somente o bispo ou o padre.
- Efeitos
- União do doente à Paixão de Cristo, para seu bem e o de toda a Igreja; conforto, paz e coragem para suportar a doença; perdão dos pecados, se o doente não pôde confessar-se; restabelecimento da saúde, se for útil à salvação da alma; preparação para a passagem à vida eterna.
- Parágrafos
- CIC 1499-1532
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A Unção dos Enfermos é, junto com a Penitência, um dos dois sacramentos chamados "de cura". Seu fundamento bíblico principal está na Carta de Tiago: "Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da Igreja, e estes orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados" (Tg 5,14-15). O Concílio de Trento (Sessão XIV, 25 de novembro de 1551) viu nesse texto a promulgação do sacramento e, em Mc 6,13 — onde os discípulos "ungiam com óleo a muitos enfermos e os curavam" —, sua insinuação evangélica. O Cânone I da Sessão XIV anatematiza quem disser "que a Extrema-Unção não é verdadeiro e próprio sacramento, instituído por Cristo Nosso Senhor e promulgado pelo Apóstolo S. Tiago, mas somente um rito recebido pelos Padres, ou invenção humana" (Denzinger 1716).
O nome atual, porém, é recente. Durante cerca de oito séculos o rito descrito por Tiago foi praticado sobretudo como unção de cura dos doentes. Foi no período carolíngio, na Idade Média, que a prática se deslocou para a preparação para a morte, recebendo o nome de "extrema-unção" — termo que pressupunha a unção apenas em condições extremas, quando já não se esperava a recuperação. A Igreja Romana chegou a ungir os órgãos dos sentidos, um a um, com uma fórmula adaptada a cada um (olhos, ouvidos, nariz, boca, mãos e pés). Reagindo a essa redução (e também à polêmica com os reformadores, que negavam o caráter sacramental do rito), o Concílio de Trento consolidou a doutrina — ensinando que a unção se destina aos doentes, mas "especialmente àqueles que parecem estar à morte" (cap. iii) —, mas foi o Concílio Vaticano II que recolocou o acento original. A Constituição Sacrosanctum Concilium (n. 73) declara que a "extrema-unção, que também e melhor pode ser chamada Unção dos Enfermos, não é um sacramento só dos que estão no fim da vida", e que é tempo oportuno de recebê-lo já quando o fiel começa, por doença ou velhice, a estar em perigo de morte. Paulo VI, na Constituição Apostólica Sacram Unctionem Infirmorum (30 de novembro de 1972), aprovou a reforma do rito e da fórmula, simplificando o número de unções para a fronte e as mãos.
Quanto à matéria, discute-se há séculos se é exigido o azeite de oliva. O Concílio de Florença, na Bula Exultate Deo ao patriarca dos armênios (22 de novembro de 1439, decreto para os armênios), requeria expressamente que a matéria fosse "óleo de oliva bento pelo Bispo"; uma minoria de teólogos, apoiada no silêncio do texto de Tiago, defendia a validade de "óleo de qualquer espécie" com propriedades semelhantes. O texto de Florença — que nomeia a unção como o quinto dos sete sacramentos — fixava ainda que não se deve administrar o sacramento "senão ao doente de cuja morte se teme" (Denzinger 700). Paulo VI resolveu a questão: na Sacram Unctionem Infirmorum, observando que "o azeite de oliveira, que era prescrito até agora para a validade do Sacramento, nalgumas partes não existe ou dificilmente se pode conseguir", determinou que se possa adotar "outro tipo de óleo, o qual, todavia, deve ser extraído de plantas". Hoje o óleo dos enfermos é um dos três óleos abençoados pelo bispo na Missa Crismal (ou Missa dos Santos Óleos), celebrada na manhã da Quinta-feira Santa, ao lado do óleo dos catecúmenos e do santo crisma — este último consagrado com bálsamo, os outros dois apenas abençoados. A bênção do óleo dos enfermos usa a oração "Deus, totíus consolatiónis Pater" ("Ó Deus, Pai de toda consolação"), que remonta ao Sacramentário Gelasiano (séculos VII-VIII). Em caso de verdadeira necessidade, qualquer presbítero pode bentzer esse óleo, mas somente na própria celebração do sacramento.
A celebração é comunitária, mesmo quando ocorre no leito de um hospital: compreende o rito penitencial, a liturgia da Palavra, a imposição silenciosa das mãos pelos presbíteros (verdadeira epiclese do sacramento) e a unção. No rito romano reformado, a unção é feita na fronte e nas mãos, sem repetir a fórmula sacramental. O doente é convidado a unir-se livremente à Paixão de Cristo, contribuindo para o bem de todo o Povo de Deus. Quando se prevê a proximidade da morte, o sacramento é celebrado junto com a Confissão e a Eucaristia — esta última recebida então como Viático, "o último sacramento do cristão". O sacramento pode ser repetido se a doença se agravar ou surgir uma nova enfermidade, e convém recebê-lo antes de uma cirurgia grave; não é um selo único como o Batismo ou a Ordem.
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