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Música Sacra · Tema 5

Veni Creator Spiritus

Hino latino de invocação ao Espírito Santo, atribuído a Rabano Mauro (século IX), cantado em Pentecostes, ordenações, concílios e no conclave papal.

Veni Creator Spiritus
Idioma
latim

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"Veni Creator Spiritus" ("Vinde, Espírito Criador") é um dos mais antigos e solenes hinos de invocação ao Espírito Santo da tradição latina. O texto, em tetrâmetros (esquema 8-8-8-8), invoca o Espírito como "Criador" que visita as mentes dos fiéis e enche com a graça do alto os corações criados por Deus, pedindo a sua luz e a sua força. Sua composição é atribuída pela tradição a Rabano Mauro (c. 780–856), monge beneditino franco, abade de Fulda e depois arcebispo de Mainz, uma das maiores figuras intelectuais do renascimento carolíngio — a data aproximada de composição é c. 809. A atribuição aparece com consistência nos hinários e breviários medievais, embora não sobreviva nenhum autógrafo; por isso a autoria é apresentada como "atribuída", e não como certeza documental.

Quanto à melodia, o texto latino é normalmente cantado sobre um canto gregoriano em modo VIII, conhecido por manuscritos de Kempten que remontam a cerca de 1000. O hino foi incorporado ao Breviário Romano e ao Gradual para Pentecostes: canta-se nas celebrações desse dia, em particular na Hora de Terça e nas Vésperas, e tradicionalmente também no primeiro dia do ano. A ele se liga a sequência de Pentecostes Veni Sancte Spiritus, que é outra composição, muitas vezes confundida com este hino.

O uso do hino é excepcionalmente amplo. É cantado na entrada dos cardeais eleitores na Capela Sistina, durante o conclave, imediatamente após a Ladainha dos Santos e antes do juramento, invocando o Espírito sobre a eleição do novo papa. É entoado na ordenação de sacerdotes e bispos, na consagração de bispos, na profissão religiosa, na administração da Confirmação, na dedicação de igrejas, na abertura de concílios e sínodos, na coroação de monarcas e em outras solenidades de início. Está documentado, entre outros, no uso reformado do Concílio Vaticano II.

A riqueza litúrgica do hino extrapola o rito romano. Martinho Lutero fez dele uma versificação alemã, "Komm, Gott Schöpfer, heiliger Geist", que se tornou um dos pilares do hinário luterano; e, entre as adaptações modernas, a tradução rimada alemã "Komm, Heiliger Geist, der Leben schafft", de Friedrich Dörr (1972), foi acolhida no hinário Gotteslob (1975 e 2013). O Enchiridion Indulgentiarum concede indulgência plenária a quem recita o "Veni Creator Spiritus" no primeiro de janeiro ou na festa de Pentecostes, e indulgência parcial nas demais ocasiões. Sua inspiração atravessa séculos da música ocidental, tendo sido musicado por numerosos compositores.

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