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Missões

Missionários da Consolata

Instituto missionário fundado em Turim por São Giuseppe Allamano, dedicado sobretudo à evangelização de países da África Oriental.

Missionários da Consolata
Tipo
Ordem missionária
Região
África Oriental (Quênia, Etiópia, Tanzânia, Moçambique)
Século
séculos XIX-XX

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Giuseppe Allamano nasceu em 21 de janeiro de 1851 em Castelnuovo d'Asti (atual Castelnuovo Don Bosco), no Piemonte italiano — a mesma pequena cidade natal de São João Bosco, de quem era parente próximo — e era sobrinho materno de São José Cafasso, o célebre "pai espiritual do clero turinês". Ordenado sacerdote em 1873, Allamano dedicou-se sobretudo à formação sacerdotal e, a partir de 1880, tornou-se reitor do Santuário da Consolata em Turim, importante centro de devoção mariana da cidade, cargo que exerceria por 46 anos, até sua morte, elevando o templo a um novo patamar de vida espiritual e de peregrinação.

Desde jovem alimentava o sonho de criar um instituto missionário a partir de Turim, motivado tanto pelo exemplo de Dom Bosco e Cafasso quanto pelo apelo então crescente por missionários para a África recém-"aberta" à presença europeia. Fundou o Instituto Missões Consolata em 29 de janeiro de 1901, com aprovação do arcebispo de Turim, e enviou os primeiros quatro missionários — dois padres e dois irmãos — ao Quênia britânico em maio de 1902, estabelecendo a primeira missão consolata em Tuthu, no interior queniano, seguida logo depois por outras estações na região de Nyeri e do Monte Quênia. Allamano jamais viajou pessoalmente à África, permanecendo em Turim como formador e diretor espiritual à distância de seus missionários, com quem mantinha intensa correspondência.

Sua pedagogia espiritual ficou resumida numa frase que se tornou lema do instituto: os missionários deveriam ser "santos antes de serem missionários", isto é, a solidez da vida espiritual e da formação humana deveria preceder e fundamentar qualquer ação apostólica concreta — Allamano temia missionários apressados, tecnicamente competentes mas espiritualmente rasos. Pedia aos seus religiosos as qualidades de serem "perseverantes, unidos e esclarecidos" no anúncio do Reino de Deus, e associava estreitamente evangelização e promoção humana, orientando seus missionários a cuidar também da saúde, da educação e do desenvolvimento material das comunidades onde atuavam, dentro de uma espiritualidade centrada na Trindade e marcada por forte devoção mariana, herdada de sua vida junto ao santuário.

Em 1910, Allamano fundou o ramo feminino do instituto, as Missionárias da Consolata, ampliando o alcance da obra para áreas da vida comunitária e da saúde onde a presença de religiosas se mostrava indispensável. A partir da base queniana, os dois institutos consolata expandiram-se ao longo do século XX para a Etiópia (a partir de 1913, embora com interrupções por conflitos políticos), a Tanzânia, a Somália e, já nos anos 1920, para Moçambique; mais tarde, em 14 de junho de 1948, um grupo de missionários consolata liderado por José Nepote Fus chegou a Boa Vista, então capital do Território Federal do Rio Branco, para substituir os monges beneditinos que ali atuavam e assumir a evangelização da futura Roraima — início de uma presença amazônica que se estende até hoje. A partir de 1971, os missionários da Consolata em Roraima fizeram a chamada "opção pelos povos indígenas", passando a viver dentro das próprias comunidades e malocas, em vez de atuar a partir de fazendas e núcleos de colonização como antes, redirecionando o trabalho para uma pastoral mais próxima da cultura e da autonomia indígena. Hoje os Missionários e Missionárias da Consolata estão presentes em mais de trinta países de quatro continentes.

Allamano morreu em Turim em 16 de fevereiro de 1926, sem nunca ter visto pessoalmente a África que passou a vida formando missionários para evangelizar. Foi beatificado pelo papa João Paulo II em 7 de outubro de 1990 e canonizado pelo papa Francisco em 20 de outubro de 2024, Dia Mundial das Missões, após o reconhecimento de um milagre ocorrido na Amazônia brasileira, onde os Missionários da Consolata atuam desde 1948, sobretudo entre povos indígenas de Roraima como os da Terra Indígena Raposa Serra do Sol e os ianomâmis: em 7 de fevereiro de 1996, primeiro dia de uma novena a Allamano então ainda beato, o indígena ianomâmi Sorino foi atacado por uma onça que lhe abriu o crânio, e, levado ao hospital de Boa Vista sob os cuidados e a oração constante de missionárias da Consolata, recuperou-se por completo em poucos meses — cura que a Igreja reconheceu como milagrosa após um processo diocesano concluído em 2021 e a aprovação final do dicastério romano competente em maio de 2024.

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Fontes

  • Vatican News: Ser santos antes de ser missionários — São Giuseppe Allamano
  • Consolata: Instituto Missões Consolata celebra 120 anos de fundação
  • Vatican News: Diocese de Roraima, onde aconteceu o milagre para a canonização de Allamano
  • Wikipédia: José Allamano
  • Consolata América: O milagre de Sorino Yanomami
  • Diocese de Roraima: Celebrando 75 anos de missão da Consolata em Roraima

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