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Mártires de Uganda

Grupo de jovens cristãos da corte do reino de Buganda, executados entre 1885 e 1887 por se recusarem a renunciar à fé; canonizados em 1964 como testemunhas da evangelização na África.

Tipo
Martírio
Região
Reino de Buganda (atual Uganda)
Século
século XIX

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A evangelização católica do reino de Buganda, no interior da atual Uganda, começou em 1879 com a chegada dos primeiros Padres Brancos (Missionários da África), fundados por Charles Lavigerie, que encontraram na corte do kabaka (rei) Mutesa I um ambiente de curiosidade religiosa, já disputado também por missionários protestantes anglicanos e por comerciantes muçulmanos vindos da costa suaíli. Após a morte de Mutesa I em 1884, subiu ao trono seu filho adolescente Mwanga II, jovem de temperamento instável e violento, que via nos pajens cristãos de sua corte — muitos dos quais recusavam-se a satisfazer suas exigências sexuais sobre os jovens da corte real — ao mesmo tempo um desafio à sua autoridade e uma ameaça política, pela lealdade que muitos deles dedicavam a uma fé estrangeira em vez de ao próprio kabaka.

A perseguição começou formalmente em 15 de novembro de 1885, quando Mwanga ordenou a decapitação de José Mukasa Balikuddembe, mordomo-chefe da corte e católico fervoroso que havia repreendido publicamente o rei por seus abusos — tornando-se o primeiro mártir do grupo. Após a morte de Mukasa, a liderança da comunidade cristã da corte recaiu sobre Carlos Lwanga, chefe dos pajens reais, que passou a proteger secretamente os jovens cristãos, batizar catecúmenos às pressas diante do perigo iminente e fortalecer o grupo na fé, sabendo que a perseguição poderia se intensificar a qualquer momento.

Em maio de 1886, ao descobrir que vários pajens haviam recusado suas investidas e mantinham-se fiéis à instrução cristã, Mwanga reuniu a corte e exigiu que todos os cristãos se apresentassem separadamente dos demais; os que se identificaram como católicos ou anglicanos foram condenados à morte. No dia 3 de junho de 1886, Carlos Lwanga e doze companheiros católicos foram levados a Namugongo, a cerca de quarenta quilômetros do palácio real de Munyonyo — trajeto que a tradição local descreve como um verdadeiro via-sacra, marcado por espancamentos e novas tentativas de fazê-los renegar a fé — e ali foram enrolados em esteiras de palha e queimados vivos numa grande fogueira coletiva; entre eles estava Kizito, o mais jovem do grupo, com apenas treze ou catorze anos de idade. No mesmo período, cristãos anglicanos da corte foram igualmente executados por ordem de Mwanga, unindo católicos e protestantes num mesmo episódio de perseguição.

Ao todo, entre 31 de janeiro de 1885 e 27 de janeiro de 1887, quarenta e cinco cristãos da corte de Buganda foram mortos por ordem de Mwanga II — vinte e dois católicos e vinte e três anglicanos —, a maioria deles muito jovens, entre treze e trinta anos, muitos ocupando funções de pajens ou servos próximos do rei. Entre os vinte e dois católicos canonizados estão, além de Carlos Lwanga e José Mukasa, nomes como Matias Mulumba Kalemba, chefe local de idade mais avançada que os demais, executado com requintes de crueldade em 30 de maio de 1886; Andrés Kaggwa, responsável pela música na corte real; e Pontiano Ngondwe, um dos guardas reais — um grupo que reunia, portanto, tanto jovens pajens quanto homens adultos de diferentes funções na estrutura da corte de Buganda. Paradoxalmente, a perseguição não deteve a expansão do cristianismo na região: nas décadas seguintes a fé cristã cresceu de forma acelerada em Uganda, e os relatos do martírio, transmitidos oralmente e depois por escrito pelos missionários brancos, tornaram-se rapidamente parte da identidade católica ugandense.

Os vinte e dois mártires católicos foram beatificados pelo papa Bento XV em 1920, e Pio XI declarou Carlos Lwanga, em 1934, patrono da juventude católica africana. A canonização de todo o grupo foi celebrada pelo papa Paulo VI em 18 de outubro de 1964, durante uma sessão do Concílio Vaticano II — a primeira canonização de santos africanos modernos, e um gesto de forte significado simbólico num momento em que vários países africanos alcançavam a independência política. Em 29 de julho de 1969, Paulo VI viajou pessoalmente a Kampala para consagrar o altar-mor do santuário erguido em Namugongo — construído com arquitetura circular inspirada na cabana tradicional africana e sustentado por vinte e dois pilares em memória dos mártires católicos —, na que se tornou a primeira viagem de um papa ao continente africano; o santuário e a data de 3 de junho, hoje feriado nacional em Uganda, recebem anualmente centenas de milhares de peregrinos vindos de toda a África Oriental.

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Fontes

  • Vatican News: SS. Carlos Lwanga e Companheiros, mártires de Uganda
  • Martirológio Romano (edição típica, 2004)
  • Vatican News: Os mártires de Uganda, modelos para a juventude de hoje
  • Wikipédia (es): Mártires de Uganda
  • Wikipedia (en): Matiya Mulumba
  • Rádio Vaticano (arquivo): viagem de Paulo VI a Kampala em 1969

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