Missões
Os 26 Mártires do Japão
Grupo de três jesuítas, seis franciscanos e dezessete leigos cristãos — entre eles São Felipe de Jesús, primeiro santo nascido no México — crucificados em Nagasaki em 1597, primeiro grande martírio em massa do cristianismo no Japão.

- Tipo
- Martírio
- Região
- Nagasaki, Japão
- Século
- século XVI
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O martírio dos 26 Mártires do Japão nasceu de uma combinação de fatores políticos e religiosos que se acumulavam desde o final da década de 1580. O cristianismo chegara ao arquipélago em 1549, quando Francisco Xavier, Cosme de Torres e Juan Fernández desembarcaram em Kagoshima, e por décadas a missão jesuíta gozou do favor de poderosos, entre eles Oda Nobunaga, que viam nos religiosos estrangeiros um meio de enfraquecer as seitas budistas e de facilitar o comércio com Portugal e Espanha. Seu sucessor, o regente unificador Toyotomi Hideyoshi, de postura mais conservadora diante das influências externas, já havia emitido em 1587 o primeiro édito de proibição do cristianismo e de expulsão dos missionários jesuítas, motivado pelo receio de que a lealdade de daimyos convertidos e a presença de potências ibéricas na costa japonesa ameaçassem sua autoridade recém-conquistada; o édito, porém, não foi aplicado de forma sistemática por quase uma década.
A situação se deteriorou em 1596, quando o naufrágio do galeão espanhol San Felipe na costa japonesa levou a boatos — atribuídos a um comentário indiscreto de um piloto espanhol — de que missionários católicos preparavam o terreno para uma futura conquista militar espanhola do Japão, à semelhança do que a Espanha fizera nas Filipinas. Diante disso, Hideyoshi ordenou a prisão de missionários e cristãos japoneses em Kyoto e Osaka como demonstração de força.
Foram presos vinte e quatro pessoas inicialmente — seis frades franciscanos, entre eles o superior da missão, Pedro Bautista, o espanhol Francisco Blanco e Gonçalo Garcia, nascido em 1556 em Baçaim (Bassein), na Índia portuguesa, filho de pai português e mãe indiana, além do noviço Felipe de las Casas, nascido na Cidade do México em 1572 (São Felipe de Jesús, o primeiro santo nascido no território que hoje é o México); três jesuítas japoneses (o padre Paulo Miki e os irmãos João Soan de Goto e Diogo Kisai); e quinze leigos ligados à Terceira Ordem Franciscana — catequistas e serviçais das missões, quatorze japoneses e um coreano —, entre os quais dois meninos, Luís Ibaraki e Antônio de Nagasaki. Ainda em Kyoto, por ordem do próprio Hideyoshi, cortaram-lhes parte da orelha esquerda como marca infamante e os obrigaram a desfilar publicamente por várias cidades japonesas ao longo de um mês de marcha forçada rumo a Nagasaki, principal centro cristão do país, onde a execução deveria servir de exemplo público; dois cristãos leigos que acompanhavam o grupo pelo caminho, oferecendo-lhes assistência, foram também presos e somados ao grupo, elevando o total a vinte e seis.
Em 5 de fevereiro de 1597, os vinte e seis foram levados à colina de Nishizaka, nos arredores de Nagasaki, e amarrados e acorrentados a cruzes de madeira erguidas lado a lado; seguindo um método usado no Japão da época, cada um foi morto com lançadas cruzadas no peito, desferidas por soldados posicionados de ambos os lados da cruz, e não por pregos ou asfixia como na crucificação romana tradicional. Paulo Miki, jesuíta japonês de cerca de 33 anos, aproveitou os últimos instantes para pregar da própria cruz à multidão reunida, declarando-se japonês e religioso da Companhia de Jesus, perdoando seus executores e afirmando alegria por morrer pela fé que livremente escolhera — discurso que testemunhas presentes registraram e que se tornou o relato mais célebre do episódio.
A notícia do martírio se espalhou rapidamente pela Ásia e pela Europa através das cartas anuais dos jesuítas e dos relatos franciscanos, tornando-se um dos episódios mais divulgados da história missionária do Extremo Oriente no século XVI, tanto pelo número de vítimas quanto pela presença de crianças e de religiosos de diferentes ordens mortos lado a lado. O grupo foi beatificado pelo papa Urbano VIII em 14 de setembro de 1627 — três deles, os jesuítas, tiveram a beatificação confirmada em 1629 — e canonizado pelo papa Pio IX em 8 de junho de 1862, tornando Paulo Miki o primeiro religioso nativo japonês elevado à santidade pela Igreja Católica.
Os 26 Mártires do Japão são celebrados liturgicamente em 6 de fevereiro e são considerados, junto com os mártires de Nagasaki de gerações posteriores, padroeiros do Japão; em 1962, no centenário de sua canonização, foi erguido no alto da colina de Nishizaka um monumento em bronze com as vinte e seis figuras, obra do escultor Yasutake Funakoshi, ao lado de um museu dedicado à memória dos mártires cristãos japoneses, que continua hoje como um dos principais pontos de peregrinação católica no país. Esse grupo de 1597 não deve ser confundido com outros dois grandes conjuntos de mártires japoneses reconhecidos posteriormente pela Igreja: os 205 Mártires do Japão, beatificados pelo papa Pio IX em 7 de julho de 1867, mortos entre 1617 e 1632 já sob a perseguição sistemática do xogunato Tokugawa, e os 188 Mártires do Japão, beatificados em 24 de novembro de 2008 — ambos os grupos posteriores, evidência de que a perseguição ao cristianismo japonês, iniciada com o martírio de Nishizaka, se estenderia por décadas com intensidade crescente até o fechamento quase total do país ao Ocidente.
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Grupo de 26 cristãos — jesuítas, franciscanos e leigos japoneses — crucificados em Nagasaki em 1597 durante a perseguição ao cristianismo no Japão.
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