História da Igreja
O Primeiro Concílio Ecumênico: Niceia (325)
Reunião convocada pelo imperador Constantino que definiu a divindade plena do Filho contra o arianismo, e fixou a data comum da Páscoa.

- Período
- Igreja primitiva (325)
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Convocado pelo imperador Constantino, recém-vitorioso sobre Licínio e agora senhor único de um Império reunificado, o Concílio de Niceia reuniu-se no verão de 325 na cidade da Bitínia que lhe dá nome, próxima à nova capital que Constantino projetava no Bósforo. Foi a primeira vez na história que bispos de todo o Império — cerca de trezentos, segundo as estimativas mais aceitas, embora a tradição posterior tenha arredondado o número para 318 por associação simbólica com o número de servos de Abraão no livro do Gênesis — se reuniram numa única assembleia, custeada e organizada pelo próprio poder imperial, que forneceu transporte e hospedagem aos participantes. A maioria dos bispos vinha do Oriente de língua grega — Ásia Menor, Síria, Palestina, Egito —, e apenas um punhado representava o Ocidente latino; o papa Silvestre I, já idoso, não compareceu pessoalmente, enviando dois legados.
O motivo imediato da convocação foi a controvérsia suscitada por Ário, presbítero de Alexandria, que ensinava que o Filho, embora superior a toda a criação, fora ele mesmo criado pelo Pai a partir do nada, e portanto não era eterno nem da mesma substância divina — «houve um tempo em que ele não existia», na fórmula que se tornou sua marca registrada. A disputa já dividia gravemente as comunidades cristãs do Egito e do Oriente quando Constantino, mais preocupado com a unidade política e social do Império do que com sutilezas teológicas, decidiu convocar um concílio geral para resolvê-la de vez, após uma primeira tentativa fracassada de conciliação por meio de uma carta enviada a Alexandria pelo bispo Osso (Ósio) de Córdoba, seu conselheiro eclesiástico de confiança.
Após debates intensos, a maioria esmagadora dos bispos presentes — apenas dois, além do próprio Ário, recusaram-se a assinar — subscreveu um credo que definia o Filho como «gerado, não feito, consubstancial ao Pai» (em grego, homooúsios, «da mesma substância»), termo que não constava da Escritura mas que os padres conciliares julgaram necessário para fechar definitivamente as brechas interpretativas que a linguagem bíblica, por si só, deixava abertas ao arianismo. O credo de Niceia foi depois ampliado e reformulado no Concílio de Constantinopla I, em 381, sobretudo no que respeita ao Espírito Santo, dando origem ao texto hoje conhecido como Credo niceno-constantinopolitano, ainda hoje professado nas liturgias católica, ortodoxa e de várias confissões protestantes.
Além da questão cristológica central, o concílio tratou de fixar uma data comum para a celebração da Páscoa, até então celebrada em dias diferentes conforme a região — algumas comunidades orientais a associavam diretamente à data do calendário judaico da Páscoa (14 de nisã), prática conhecida como quartodecimanismo, enquanto Roma e Alexandria já celebravam sempre num domingo. O concílio decidiu que a Páscoa cristã deveria ser celebrada sempre num domingo, e delegou à Igreja de Alexandria, reconhecida por sua tradição astronômica, o cálculo anual da data exata a partir do primeiro plenilúnio após o equinócio de primavera — sistema de cálculo, com ajustes posteriores, que permanece em uso até hoje. O concílio promulgou ainda vinte cânones disciplinares, tratando de questões como a hierarquia entre as grandes sés episcopais (Roma, Alexandria, Antioquia), a idade mínima para a ordenação e a reconciliação de cismáticos e hereges arrependidos com a Igreja.
As consequências da condenação do arianismo em Niceia não foram imediatas nem definitivas: nas décadas seguintes, sob a proteção de vários imperadores simpáticos à causa ariana, entre eles Constâncio II, filho do próprio Constantino, o arianismo continuou influente por boa parte do século IV, sendo também levado por missionários como Ulfilas aos povos germânicos, entre os quais permaneceria dominante por séculos, mesmo depois de sua condenação definitiva no Império pelo Concílio de Constantinopla I. Apesar dessa longa sobrevivência, Niceia I é considerado o primeiro dos vinte e um concílios reconhecidos como ecumênicos pela Igreja Católica, e sua fórmula cristológica permanece, quase dezessete séculos depois, o núcleo da profissão de fé trinitária professada por praticamente todas as grandes tradições cristãs.
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Concílio de Niceia I
Concílios
Primeiro concílio ecumênico (325): professou a divindade do Filho, consubstancial ao Pai, contra o arianismo.

Concílio de Niceia II
Concílios
Sétimo concílio ecumênico (787): condenou o iconoclasmo e definiu a legitimidade da veneração das imagens sagradas, distinta da adoração devida só a Deus.

Santo Atanásio de Alexandria
Santos
Bispo de Alexandria no século IV, principal defensor da divindade de Cristo contra o arianismo no Concílio de Niceia.

São Silvestre I
Papas
Papa contemporâneo das basílicas constantinianas e do Concílio de Niceia; a Idade Média lhe atribuiu falsamente a «Doação de Constantino».
