Concílios
Constantinopla III e a condenação do monotelismo
O Terceiro Concílio de Constantinopla (680-681) definiu que Cristo possui duas vontades, divina e humana, condenando o monotelismo e, nominalmente, o papa Honório I por tê-lo tolerado.
- Anos
- 680–681
- Local
- Constantinopla (atual Istambul, Turquia)
Convocado pelo imperador Constantino IV, o sexto concílio ecumênico enfrentou o monotelismo — doutrina, promovida sobretudo pelo patriarca Sérgio I de Constantinopla e tolerada pelo imperador Heráclio, segundo a qual Cristo, apesar de possuir duas naturezas conforme definira Calcedônia, teria uma única vontade, a divina. O concílio, apoiando-se sobretudo na argumentação de São Máximo, o Confessor, definiu que a Cristo pertencem duas vontades e duas operações naturais, divina e humana, «sem divisão, sem mudança, sem partição, sem confusão», e que a vontade humana de Cristo, embora sujeita à vontade divina, não foi de modo algum suprimida por ela.
O episódio é lembrado também por uma página incômoda da história papal: o concílio condenou nominalmente, entre os monotelitas, o papa Honório I, morto meio século antes, por sua correspondência com Sérgio de Constantinopla, considerada omissa diante do erro. A condenação foi confirmada pelo papa Leão II ao ratificar as atas conciliares — um dos poucos casos em que um concílio ecumênico censurou post mortem um antecessor de Pedro, episódio hoje estudado com cuidado pela teologia sobre os limites da infalibilidade papal, já que Honório se pronunciara em carta privada, e não «ex cathedra».
Mais de Concílios

Concílio de Niceia I
1º concílio ecumênico
Primeiro concílio ecumênico (325): professou a divindade do Filho, consubstancial ao Pai, contra o arianismo.

Concílio de Constantinopla I
2º concílio ecumênico
Segundo concílio ecumênico (381), convocado por Teodósio I. Reafirmou Niceia contra o arianismo e completou o Credo com a divindade do Espírito Santo.

Concílio de Éfeso
3º concílio ecumênico
Terceiro concílio ecumênico, reunido em 431 sob Teodósio II. Condenou o ensinamento de Nestório e confirmou o título de Theotokos, Mãe de Deus, dado à Virgem Maria.

Concílio de Calcedônia
4º concílio ecumênico
Quarto concílio ecumênico (451), sob o imperador Marciano. Definiu Cristo como uma só pessoa em duas naturezas, sem confusão nem separação.
