Calendário Litúrgico
Solenidade do Sagrado Coração de Jesus
Celebrada na sexta-feira seguinte à oitava de Corpus Christi, foi estendida a toda a Igreja pelo papa Pio IX em 1856, a partir das revelações a Santa Margarida Maria Alacoque.

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A devoção ao Sagrado Coração de Jesus tem raízes nas experiências místicas vividas por Santa Margarida Maria Alacoque (1647-1690), religiosa da Visitação em Paray-le-Monial, na França, entre 1673 e 1675. A primeira grande revelação ocorreu em 27 de dezembro de 1673, festa de São João Evangelista, quando Cristo lhe fez repousar a cabeça sobre o peito e lhe mostrou o Coração abrasado de amor; em 1674, mostrou-se com o Coração radiante como sol, cercado de espinhos e encimado por uma cruz, pedindo reparação; e a mais célebre data de 16 de junho de 1675, durante a oitava de Corpus Christi, quando pediu que se instituísse uma festa dedicada ao seu Coração na sexta-feira seguinte à oitava do Santíssimo Sacramento. O confessor da religiosa, o jesuíta São Cláudio de la Colombière, reconheceu e validou a autenticidade dessas graças, e a devoção difundiu-se primeiro entre os mosteiros visitandinos e as dioceses francesas.
Em 23 de agosto de 1856, por decreto da Sagrada Congregação dos Ritos, o papa Pio IX estendeu a festa do Sagrado Coração a toda a Igreja, inscrevendo-a no calendário universal. A solenidade é celebrada na sexta-feira seguinte à oitava de Corpus Christi — ou seja, a terceira sexta-feira depois de Pentecostes —, uma data móvel que pode cair entre o final de maio e o início de julho, conforme o ano da Páscoa.
A festa foi precedida por um longo processo de reconhecimento: Margarida Maria foi beatificada por Pio IX em 1864 e canonizada por Bento XV em 13 de maio de 1920, a "discípula do Sagrado Coração". Práticas ligadas à devoção, como as Primeiras Sextas-Feiras e a Hora Santa, também remontam às revelações de Paray-le-Monial.
No sábado imediato à solenidade, a Igreja celebra a memória do Imaculado Coração de Maria, instituída pelo papa Pio XII em 4 de maio de 1944, em resposta aos pedidos atribuídos às aparições de Fátima (1917), unindo liturgicamente as duas devoções ao amor de Cristo e à cooperação de Maria na obra da salvação. No antigo calendário tridentino, essa memória era fixada em 22 de agosto, oitava da Assunção.
Fontes
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