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Devoções

Consagração do Gênero Humano ao Sagrado Coração de Jesus

Ato solene pelo qual o papa Leão XIII consagrou toda a humanidade ao Sagrado Coração de Jesus, em 1899.

Origem
Encíclica «Annum Sacrum» de Leão XIII, 25 de maio de 1899; consagração solene em 11 de junho de 1899

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Na encíclica «Annum Sacrum», de 25 de maio de 1899, o papa Leão XIII anunciou a consagração de todo o gênero humano ao Sagrado Coração de Jesus, apresentando-o como símbolo do amor divino e remédio para os males sociais e espirituais de uma época marcada pela secularização crescente, em preparação para o grande Jubileu do Ano Santo de 1900. Na encíclica, o papa desenvolveu o fundamento teológico do gesto: se Cristo é Rei de todos os homens, mesmo daqueles que o ignoram ou o rejeitam, é legítimo que toda a humanidade — não apenas os fiéis católicos — seja formalmente consagrada ao seu Coração como sinal visível dessa realeza universal.

A decisão de Leão XIII, segundo relatos da época, foi motivada também pela insistência espiritual de uma religiosa: a Beata Maria do Divino Coração (Maria Droste zu Vischering, 1863-1899), superiora do convento do Bom Pastor no Porto, Portugal, que relatou ter recebido, entre 1897 e 1899, revelações privadas em que Jesus lhe pedia que transmitisse ao papa o desejo de consagrar toda a humanidade — e não apenas os países católicos — ao seu Sagrado Coração. Maria do Divino Coração enviou cartas ao próprio Leão XIII relatando esse pedido; de modo particularmente marcante para os fiéis que acompanharam o episódio, ela faleceu em 8 de junho de 1899, apenas três dias antes de o papa realizar solenemente a consagração que ela lhe pedira. Foi beatificada por João Paulo II em 1975.

O ato solene de consagração foi realizado em 11 de junho de 1899, festa do Sagrado Coração daquele ano, com a recitação de uma fórmula específica em Roma e a orientação, dada por Leão XIII a todos os bispos do mundo, de que o mesmo ato fosse repetido nas catedrais e igrejas paroquiais de suas dioceses na mesma data — fazendo da consagração de 1899 um dos gestos de maior alcance simultâneo e universal já realizados pela Santa Sé até então.

Distingue-se, por seu caráter de ato histórico único realizado por um papa em nome de toda a Igreja e de toda a humanidade, da devoção cotidiana e pessoal ao Sagrado Coração já presente neste acervo, embora ambas compartilhem a mesma base teológica: o reconhecimento do Coração de Cristo como símbolo concreto de seu amor humano e divino pelos homens. A consagração de 1899 é hoje lembrada, ao lado das consagrações do mundo e da Rússia ao Imaculado Coração de Maria feitas por Pio XII em 1942 e por papas posteriores (ver entrada própria), como um dos grandes momentos do magistério pontifício em que a Igreja voltou-se solenemente para a humanidade inteira.

O próprio Leão XIII determinou que a fórmula de consagração de 1899 fosse recitada anualmente, no dia da festa do Sagrado Coração, em todas as igrejas do mundo — prática que se manteve por décadas e ajudou a manter viva a memória do ato entre os fiéis muito depois da morte do papa, em 1903. Anos mais tarde, em 1956, o papa Pio XII retomaria e aprofundaria o mesmo tema em sua encíclica «Haurietis Aquas», já mencionada na entrada sobre a devoção ao Sagrado Coração neste acervo, situando a consagração de 1899 dentro de uma linha contínua do magistério pontifício sobre o significado teológico do Coração de Cristo.

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Fontes

  • Leão XIII, Encíclica «Annum Sacrum» (1899)
  • Via Crucis (Portugal), «Neste dia, em 1899, o Papa Leão XIII consagrava o mundo ao Sagrado Coração de Jesus»
  • O Imaculado Coração Triunfará, «A Beata Maria do Divino Coração e a consagração do gênero humano ao Sagrado Coração de Jesus em 1899»

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