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Devoções

Devoção ao Sagrado Coração de Jesus

Devoção ao amor humano e divino de Cristo, simbolizado em seu coração, difundida a partir das revelações a Santa Margarida Maria Alacoque.

Devoção ao Sagrado Coração de Jesus
Foto: Matea Gregg / Unsplash
Origem
Aparições a Santa Margarida Maria Alacoque em Paray-le-Monial (década de 1670)

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A devoção ao Sagrado Coração de Jesus tem raízes espirituais que remontam à Idade Média — na meditação de místicos como Santa Gertrudes e Santa Matilde de Hackeborn sobre o lado ferido de Cristo aberto pela lança, e na espiritualidade francesa do século XVII, sobretudo em São João Eudes, que já compunha ofícios litúrgicos em honra dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria antes mesmo das revelações que dariam à devoção sua forma definitiva e sua difusão em massa.

Essa forma definitiva veio das aparições relatadas por Santa Margarida Maria Alacoque, religiosa da Ordem da Visitação no mosteiro de Paray-le-Monial, na Borgonha francesa. Entre 1673 e 1675, ela teria recebido de Jesus uma série de revelações privadas em que ele mostrava seu coração, «ardendo em amor pelos homens» e, ao mesmo tempo, ferido pela indiferença, pela ingratidão e pelos sacrilégios que esse amor recebe em troca. A mais decisiva dessas experiências — conhecida como a «grande aparição» — ocorreu por volta de junho de 1675, durante a oitava de Corpus Christi, quando Jesus lhe teria pedido explicitamente a instituição de uma festa em honra de seu Coração, a ser celebrada na sexta-feira seguinte a essa oitava.

Nessas revelações, Jesus teria formulado ainda uma série de doze promessas a quem cultivasse fielmente a devoção ao seu Coração: entre elas, paz nas famílias, consolação nas aflições, bênção sobre os empreendimentos, refúgio na vida e na hora da morte, e a chamada «grande promessa» — associada à prática das Primeiras Sextas-Feiras, também registrada neste acervo —, de conceder a graça da perseverança final a quem comungasse em espírito de reparação durante nove primeiras sextas-feiras consecutivas.

Margarida Maria encontrou inicialmente grande resistência, inclusive dentro de seu próprio convento, quanto à autenticidade dessas experiências místicas. Um apoio decisivo veio do padre jesuíta Claude La Colombière, então confessor da comunidade de Paray-le-Monial, que reconheceu o valor espiritual das revelações e se tornou, ele mesmo, um dos primeiros e mais ativos divulgadores da devoção — sendo depois canonizado, como Margarida Maria também viria a ser, já no século XX.

A aprovação institucional foi lenta e gradual. Somente em 1765 a Sagrada Congregação dos Ritos autorizou a celebração litúrgica do Sagrado Coração para a França, e a festa só foi estendida a toda a Igreja em 1856, pelo papa Pio IX, sendo depois elevada por Leão XIII, em 1889, à categoria litúrgica mais solene. O próprio Leão XIII daria à devoção seu momento de maior alcance público em 1899, ao consagrar formalmente todo o gênero humano ao Sagrado Coração de Jesus na encíclica «Annum Sacrum» — episódio tratado em separado neste acervo. Décadas depois, em 1956, o papa Pio XII dedicaria à devoção uma encíclica inteira, «Haurietis Aquas», sistematizando seu fundamento bíblico e teológico e reafirmando seu lugar central na espiritualidade católica.

No símbolo do Sagrado Coração — geralmente representado circundado de espinhos, ferido e emanando chamas e luz — a Igreja enxerga uma síntese visual de duas naturezas unidas numa só pessoa: o amor humano, sensível e capaz de sofrer, e o amor divino, infinito, de Cristo. A devoção deu origem não só à festa litúrgica própria (móvel, no calendário romano, dezenove dias depois de Pentecostes) e às Primeiras Sextas-Feiras, mas também a práticas complementares como a entronização da imagem do Sagrado Coração nos lares e a Hora Santa, também presente neste acervo.

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Fontes

  • Catecismo da Igreja Católica
  • Arquidiocese de Vitória da Conquista, «As 12 promessas do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque»
  • Pio XII, Encíclica «Haurietis Aquas» (1956)

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