Devoções
Novenas
Nove dias consecutivos de oração por uma intenção específica ou em preparação a uma festa, inspirados nos nove dias entre a Ascensão e Pentecostes.

- Origem
- Atos dos Apóstolos 1,12-14 (os nove dias entre a Ascensão e Pentecostes)
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A prática da novena — nove dias seguidos, ou nove datas periódicas, de oração com a mesma intenção — remonta ao intervalo entre a Ascensão de Jesus e a descida do Espírito Santo em Pentecostes: o livro dos Atos dos Apóstolos relata que, nesse período, os discípulos "perseveravam unânimes em oração, com Maria, mãe de Jesus" (At 1,14). Essa vigília orante dos primeiros discípulos é considerada, na tradição cristã, a matriz simbólica de toda novena posterior, embora o termo e a prática formal só tenham se desenvolvido séculos depois.
O número nove como medida de tempo dedicado à oração ou ao luto, porém, já era familiar ao mundo antigo antes do cristianismo: os romanos observavam um período de nove dias de rito fúnebre após a morte de alguém (o «novendiale») e realizavam anualmente a «parentalia novendialia» em memória dos parentes falecidos. A prática pagã de nove dias de luto, seguida de um banquete, era tão difundida que escritores cristãos antigos — entre eles Agostinho de Hipona, o Pseudo-Alcuíno e João Beleth — chegaram a advertir os fiéis para não a imitarem. Ao mesmo tempo, os Padres da Igreja atribuíram ao nove um sentido próprio: por ser o quadrado de três, número da Trindade, viam nele o símbolo do homem imperfeito que se volta para Deus, em contraste com o dez, símbolo da perfeição; associavam-no também aos nove meses de gestação de Cristo, à nona hora em que Jesus entregou o espírito na cruz e aos nove dias entre a Ascensão e Pentecostes.
Como prática batizada explicitamente de "novena" e dirigida a Deus, a Maria ou aos santos, o costume se desenvolveu de modo mais definido a partir da Idade Média e ganhou grande impulso no período barroco, sobretudo nos séculos XVII e XVIII, quando ordens religiosas — jesuítas, franciscanos, redentoristas, entre outras — passaram a publicar livretos com novenas específicas para preparar os fiéis a festas litúrgicas (o Natal, por exemplo, ganhou sua tradicional "novena de Natal") ou para pedir graças concretas por intercessão de um santo de devoção popular. Um momento de reconhecimento oficial ocorreu em 1897, quando o papa Leão XIII, na encíclica «Divinum illud munus», ordenou que em todas as igrejas paroquiais se rezasse, em preparação à solenidade de Pentecostes, a novena do Espírito Santo — a própria "novena das origens" transformada em prática prescrita à Igreja inteira.
Existem hoje dois grandes tipos de novena. As novenas de preparação, rezadas nos nove dias que antecedem uma festa (como a Imaculada Conceição ou o Natal), têm caráter mais litúrgico e comunitário, muitas vezes conduzidas publicamente na paróquia. Já as novenas de súplica ou de urgência — rezadas diante de uma necessidade grave e específica — podem ser feitas em qualquer época do ano, individualmente ou em grupo, repetindo uma mesma oração ou fórmula por nove dias consecutivos, na confiança de que a perseverança na súplica, à imitação dos apóstolos reunidos com Maria, dispõe o coração a receber a graça pedida.
A Igreja sempre fez questão de distinguir a novena, como forma legítima de piedade popular, de qualquer uso supersticioso do número nove ou de fórmulas repetidas de modo mecânico: o valor da novena está na disposição interior de perseverança e confiança, e não numa contagem mágica de dias ou de repetições. Por isso, embora popularíssimas — e ligadas hoje a praticamente todo santo e toda advocação mariana de devoção relevante no mundo católico —, as novenas continuam sendo classificadas como devoção facultativa, e não como parte obrigatória da vida sacramental católica.
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