Calendário Litúrgico
Natividade de São João Batista
Solenidade celebrada em 24 de junho, é uma das únicas três natividades do calendário romano — ao lado do Natal e do nascimento de Maria (8 de setembro) —, fixada seis meses antes do Natal a partir do relato de Lucas 1,36.

- Cor litúrgica
- Branco
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O calendário litúrgico costuma comemorar os santos na data de sua morte, seu verdadeiro "nascimento" para o Céu, mas abre uma exceção rara para apenas três nascimentos terrenos: o de Jesus (Natal), o de Maria (8 de setembro) e o de João Batista, celebrado como solenidade em 24 de junho. No caso de João há ainda outra distinção: além do nascimento, a Igreja celebra também o seu martírio, em 29 de agosto — privilégio que, entre os santos, só compartilha com a Virgem Maria (Natividade e Assunção). O próprio Cristo sublinha a grandeza do Precursor: "Em verdade vos digo que entre os nascidos de mulher não há ninguém maior do que João Batista" (Mt 11,11).
A festa é uma das mais antigas da Igreja: já no século IV havia celebrações litúrgicas de João Batista em datas diversas, e o Concílio de Agde, na Gália, em 506, listou a Natividade entre as principais festividades da região — dia de repouso, em que se devia assistir à Missa e abster-se de trabalhos servis. Tamanha era sua categoria que, à semelhança do Natal, celebravam-se três Missas: uma na vigília, outra ao amanhecer e uma terceira pela manhã, associadas respectivamente ao título de Precursor, ao batismo que ele conferiu e à sua santidade. Há notícia ainda de que um sínodo em Seligenstadt, na Alemanha, em 1022, prescreveu um jejum e abstinência de catorze dias em preparação à festa — prática que, no entanto, nunca foi acolhida pelo uso universal romano. Em 1642, ao reorganizar os dias de preceito, o Papa Urbano VIII manteve a Natividade de São João Batista entre as festas de obrigação. A vigília da festa é atestada desde o século VI.
A data curiosa — 24, e não 25 de junho — vem do antigo sistema romano de contagem regressiva de dias a partir das calendas do mês seguinte: como junho tem apenas 30 dias, o oitavo dia antes das calendas de julho ("octavo Kalendas Iulii") cai em 24, e não em 25. O dia foi escolhido por cair exatamente seis meses antes do Natal e três meses depois da Anunciação (25 de março), refletindo o relato do Evangelho de Lucas segundo o qual Isabel, prima de Maria, já estava "no sexto mês" quando o anjo Gabriel anunciou a concepção de Jesus (Lc 1,36). É frequente a leitura de que a Igreja teria cristianizado a festa pagã do solstício de verão no hemisfério norte, deslocando para o Precursor as celebrações do solstício — embora a explicação litúrgica se apoie primariamente na cronologia de Lucas. Em todo caso, o simbolismo do solstício foi assumido pelos Padres: Santo Agostinho, em seu sermão para o nascimento de João Batista, observa que "João nasce quando o dia começa a diminuir; Cristo, quando o dia começa a crescer", aplicando ao Precursor as próprias palavras de João: "É necessário que ele cresça e que eu diminua" (Jo 3,30).
A solenidade tem precedência muito alta no calendário. Quando o 24 de junho coincide com a solenidade do Sagrado Coração de Jesus, a Natividade de João cede lugar e é transferida: na forma ordinária do rito romano, para o dia 23 de junho (caso em que a vigília se antecipa ao dia 22); na forma extraordinária (Missal de 1962), para o dia 25. O branco é a cor própria da celebração. A festa é mantida também pela Igreja Ortodoxa e demais Igrejas orientais, onde João é invocado sob o título de "Forerunner" (Pródomos, o Precursor) e a natividade é celebrada com uma vigília de toda a noite e um dia de oitava subsequente (Afterfeast).
Fontes
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