Bíblia
Neemias
As memórias do copeiro de Artaxerxes que se torna governador de Jerusalém, reconstrói os muros em 52 dias e promove a reforma religiosa e social da comunidade pós-exílica.

- Testamento
- Antigo Testamento
- Gênero literário
- Narrativa histórica (memórias)
- Autor tradicional
- Atribuído a Neemias
- Composição
- século V a.C.
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Neemias pertence ao conjunto dos livros históricos do Antigo Testamento e se situa no período do domínio persa aquemênida sobre a Judeia, após o retorno do exílio babilônico. Neemias era copeiro (ou taçoeiro) do rei persa Artaxerxes I, cargo de confiança na corte de Susa; ao saber da miséria dos judeus repatriados e do estado arruinado de Jerusalém, jejua e ora. No vigésimo ano do rei — situado pelos estudiosos em 445/444 a.C. — obtém autorização real, cartas para os governadores a oeste do Eufrates e madeira para as portas da cidade e para a fortaleza vizinha do Templo (Ne 1–2).
A obra é narrada em grande parte na primeira pessoa, no gênero dos "memoriais" ou memórias de Neemias (Ne 1,1–7,5; 12,27–43; 13,4–31). Chegando a Jerusalém, Neemias inspeciona os muros à noite e convoca o povo à reconstrução, que é descrita trecho por trecho no capítulo 3, com a lista das famílias e grupos responsáveis por cada segmento. Enfrenta a oposição de vizinhos hostis — Sambalate, o horonita, governador de Samaria; Tobias, o amonita; e Gesém, o árabe —, que zombam, conspiram e tentam intimidá-lo, enquanto os construtores trabalham com a espada à cinta. Segundo Ne 6,15, os muros ficam prontos em cinquenta e dois dias.
Além da reconstrução material, Neemias atua como reformador. No capítulo 5 enfrenta a crise social dos judeus endividados: nobres e magistrados cobravam juros (usura) dos próprios irmãos, levando muitos à escravidão por dívidas; Neemias os repreende publicamente, convoca uma assembleia e exige a restituição dos campos, das vinhas e do dinheiro. No capítulo 8, ao lado do sacerdote e escriba Esdras, preside a leitura pública da Lei de Moisés na praça diante da Porta das Águas, com os levitas explicando o sentido do texto ao povo — cena frequentemente apontada como raiz da liturgia da Palavra.
Questões históricas permanecem debatidas. A cronologia tradicional faz Esdras chegar ao sétimo ano de Artaxerxes I (458 a.C.) e Neemias treze anos depois, em 445; alguns intérpretes, porém, situam Esdras sob Artaxerxes II (c. 398 a.C.), invertendo a ordem, enquanto outro grupo defende que os dois foram contemporâneos. Por isso, a datação do livro é apresentada de modo aproximado, em torno do século V a.C.
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Se a Bíblia fala em "irmãos de Jesus", como a Igreja sustenta que Maria permaneceu sempre virgem?
Apologética
O hebraico e o aramaico não tinham palavra própria para "primo" — "irmão" designava também parentes próximos, sentido que passou ao grego dos Evangelhos, como confirma a identidade dos "irmãos" como filhos de Maria de Clópas e o atestado de Hegésipo no século II.

É verdade que a Igreja proibiu o povo de ler a Bíblia na Idade Média?
Apologética
Foram os monges medievais quem copiaram e preservaram manuscritos bíblicos por séculos; as restrições pontuais a traduções não autorizadas (Toulouse 1229, Oxford 1408) nunca equivaleram a uma proibição geral da Escritura.

Por que a Bíblia Católica tem sete livros a mais que a Bíblia usada pela maioria dos protestantes?
Apologética
Os sete livros deuterocanônicos estavam na Septuaginta, a versão grega do Antigo Testamento usada pelos primeiros cristãos, foram reafirmados por concílios do século IV e por Florença (1442), e confirmados solenemente pelo Concílio de Trento em 1546.

Primeira parte: A Sagrada Escritura
Catecismo
A inspiração e a verdade da Bíblia, o cânon dos livros sagrados e os princípios católicos de interpretação da Escritura.
