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Bíblia

Carta aos Efésios

Reflexão elevada sobre o plano eterno de Deus de reunir tudo em Cristo e sobre a Igreja como seu Corpo; possivelmente uma carta circular dirigida às comunidades da Ásia Menor.

Carta aos Efésios
Testamento
Novo Testamento
Gênero literário
Epístola paulina
Autor tradicional
Tradicionalmente atribuída a Paulo (autoria discutida pela crítica moderna)
Composição
cerca de 60-63 d.C. ou posterior

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A Carta aos Efésios tem um tom mais contemplativo e menos circunstancial que as demais cartas paulinas: quase não há saudações pessoais nem referências a problemas concretos de uma comunidade, o que levou muitos estudiosos a considerá-la uma carta circular, destinada a várias igrejas da Ásia Menor. A base dessa hipótese está no v. 1,1: as palavras "em Éfeso" faltam nos manuscritos mais antigos e importantes, entre eles o Papiro 46 e os textos usados por Tertuliano e Orígenes, o que a maioria dos críticos textuais lê como uma interpolação posterior. Sem esse endereço local, o texto se dirige genericamente "aos santos que são fiéis em Cristo Jesus", e a menção de que o autor está preso (Ef 3,1; 4,1; 6,20) é vaga demais para fixar local e data.

O tema de fundo é o desígnio eterno de Deus de "reunir todas as coisas em Cristo, as do céu e as da terra" (Ef 1,10), e o "mistério" escondido em Deus por séculos e agora revelado: que os gentios são coerdeiros, membros do mesmo Corpo e participantes da promessa (Ef 3,4-6). A Igreja é apresentada como Corpo de Cristo, "a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas" (Ef 1,22-23), e como edificação "sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, tendo Cristo Jesus por pedra angular" (Ef 2,20), na qual judeus e gentios formam um só povo, derrubada a "parede de separação" da inimizade (Ef 2,14).

A estrutura da carta se divide nitidamente em duas partes, ligadas pela palavra "portanto". Os capítulos 1-3 expõem o mistério e a nova humanidade em Cristo, culminando em orações; os capítulos 4-6 tiram as consequências morais: unidade na diversidade dos dons, a imagem do "homem novo", e as exortações domésticas (Ef 5,21-6,9). O trecho sobre o matrimônio — "maridos, amai vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela" (Ef 5,25), até o "mistério grande" referido a Cristo e à Igreja (Ef 5,32) — tornou-se central na teologia católica do casamento como sacramento. O catálogo final (Ef 6,10-17) descreve a "armadura de Deus" na luta espiritual.

A autoria é objeto de debate. A tradição atribui a carta a Paulo, escrita durante um cativeiro (Roma, c. 62 d.C., na leitura tradicional). A crítica moderna, porém, aponta diferenças de estilo, vocabulário e teologia, e a forte semelhança linguística com a Carta aos Colossenses — cerca de um terço do texto é paralelo —, sugerindo dependência literária. Por isso, numerosos estudiosos datam Efésios entre os anos 70 e 100 d.C. e a atribuem a um discípulo de Paulo, enquanto outros mantêm a autoria direta. Mesmo entre os que admitem a pseudonímia, o escrito é considerado profundamente paulino em doutrina.

Textualmente, Efésios é atestada pelo Papiro 46 (c. 200 d.C.), o mais antigo testemunho paulino extenso, pelo Papiro 92 e pelos grandes códices do século IV, como o Sinaítico e o Vaticano. Entrou no cânon sem grande controvérsia e é citada por Irineu. O Catecismo da Igreja Católica recorre a Efésios em pontos-chave da eclesiologia e da moral, sobretudo na doutrina do Corpo místico e do sacramento do matrimônio.

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