Beatos e Canonização
Reconhecimento de Virtudes Heroicas ou Martírio
O Papa declara, por decreto, que a pessoa viveu as virtudes cristãs em grau heroico ou sofreu martírio pela fé, conferindo-lhe o título de Venerável.

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Depois de a documentação reunida pela diocese ser examinada, na fase romana do processo, por consultores teológicos e pela Congregação Plenária de Cardeais e Bispos do Dicastério para as Causas dos Santos, o Papa pode reconhecer formalmente, por decreto, que o Servo de Deus viveu as virtudes teologais — fé, esperança e caridade — e as virtudes cardeais — prudência, justiça, fortaleza e temperança — em grau heroico; ou, alternativamente, que sofreu martírio real por ódio à fé. O caminho interno é preciso: os teólogos da Congregação estudam a «positio» e, se o voto for favorável por maioria qualificada, o dossiê passa ao juízo dos bispos e cardeais do Dicastério; sendo também favorável, o Santo Padre autoriza a promulgação do decreto.
A noção de «heroicidade» da virtude foi fixada por Bento XIV, na obra «De Servorum Dei beatificatione et Beatorum canonizatione», cujos capítulos sobre a virtude heroica se tornaram clássicos. Segundo essa formulação, para ser heroica, uma virtude cristã deve permitir ao seu possuidor realizar ações virtuosas «com prontidão, facilidade e prazer invulgares, a partir de motivos sobrenaturais e sem ponderações humanas, com abnegação de si mesmo e pleno controle sobre as suas inclinações naturais». Não se trata de ausência de falhas ou de uma vida sem contradições — muitos veneráveis tiveram passados marcados por pecado, dúvida ou conversões tardias —, mas da constatação, provada por depoimentos e documentos, de que a pessoa correspondeu de modo constante e extraordinário à graça de Deus, num nível que ultrapassa claramente o comportamento médio mesmo de fiéis praticantes e sinceros. É essa extraordinariedade, e não a perfeição absoluta, que a Igreja busca comprovar nessa etapa.
Esse reconhecimento confere à pessoa o título de «Venerável», usado apenas nesse período intermediário do processo: o Venerável já é proposto pela Igreja como exemplo digno de imitação, mas ainda não pode receber culto público litúrgico, reservado apenas a partir da beatificação — conforme o cânon 1187 do Código de 1983, só é lícito venerar com culto público os servos de Deus inscritos pela autoridade da Igreja no álbum dos Santos e Beatos. Entre os veneráveis reconhecidos nas últimas décadas estão a brasileira Irmã Dulce dos Pobres — declarada venerável antes de ser beatificada em 22 de maio de 2011 em Salvador e canonizada em 13 de outubro de 2019 por Francisco, tornando-se a primeira santa nascida no Brasil — e o jovem carioca Guido Schäffer, médico e surfista.
No caso do martírio, a Igreja dispensa a exigência de comprovar virtudes heroicas ao longo de toda a vida: o próprio ato de entregar a vida por ódio à fé é considerado prova suficiente e culminante de amor a Cristo, e desde os primeiros séculos o mártir é tido como tendo entrada imediata na glória. Por isso, para os mártires não se exige milagre como condição nem da beatificação: «maior amor ninguém tem do que dar a vida pelos amigos». Esse caminho direto à beatificação é tratado com mais detalhe na entrada sobre o martírio neste mesmo acervo. Note-se, por fim, que a partir de 2017 o motu proprio «Maiorem hac dilectionem», de Francisco, acrescentou à virtude heroica e ao martírio uma terceira via: a «oferta da vida», para quem se entrega voluntariamente a uma morte certa e prematura por caridade.
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Postulador (processo de canonização)
Glossário
Responsável técnico e jurídico por conduzir a causa de beatificação ou canonização de um Servo de Deus.

Canonização
Beatos e Canonização
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Canonização Equipolente
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Em 7 de setembro de 2025, na primeira cerimônia de canonização de seu pontificado, o papa Leão XIV declarou santos o adolescente italiano Carlo Acutis e o universitário Pier Giorgio Frassati, reunindo pela primeira vez num mesmo rito dois jovens beatos cujas canonizações haviam sido adiadas pela morte do papa Francisco.
