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CompêndioCatólico

Beatos e Canonização

Beatificação de Grupos de Mártires

A Igreja pode reunir numa só cerimônia mártires de perseguições distintas, como os 522 mártires da perseguição religiosa na Espanha beatificados em Tarragona em 13 de outubro de 2013, a maior beatificação coletiva da história da Igreja espanhola.

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Beatificação de Grupos de Mártires

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Quando um grande número de fiéis é morto por ódio à fé num mesmo contexto histórico de perseguição, suas causas podem ser conduzidas de forma agrupada e culminar numa única cerimônia de beatificação coletiva. O exemplo mais expressivo dos últimos tempos ocorreu em 13 de outubro de 2013, em Tarragona, na Espanha: 522 mártires do século XX foram beatificados numa só celebração, reunidos a partir de 33 causas distintas de martírio provenientes de toda a Espanha. É a maior beatificação coletiva da história da Igreja espanhola.

O grupo incluía três bispos — Manuel Basulto Jiménez, bispo de Jaén; Salvio Huix Miralpeix, bispo de Lleida; e Manuel Borrás Ferré, bispo auxiliar de Tarragona —, além de 88 sacerdotes diocesanos, 15 sacerdotes de ordens religiosas, 412 religiosos (entre os quais numerosas religiosas, como 27 Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo e 68 maristas) e 7 leigos. Sete dos beatificados nasceram fora da Espanha, embora tenham morrido em território espanhol, sendo originários da Colômbia, de Cuba, das Filipinas, da França e de Portugal. A cerimônia foi presidida em nome do Papa Francisco pelo então prefeito da Congregação das Causas dos Santos, cardeal Angelo Amato; o Papa enviou uma mensagem em vídeo para a ocasião. Participaram cerca de 104 bispos (oito deles cardeais), 1.386 a 1.400 sacerdotes, mais de 2.700 a 2.800 religiosos e cerca de 4.000 parentes dos mártires, num público estimado em mais de 25 mil a 30 mil pessoas reunidas no Complexo Educativo de Tarragona; cerca de 1,8 milhão de pessoas acompanharam a transmissão ao vivo por duas emissoras espanholas, e aproximadamente 800 voluntários colaboraram na organização.

A escolha de Tarragona como sede não foi casual e tem dupla razão. A primeira é histórica: em 259 d.C., na cidade, o bispo Frutuoso e seus dois diáconos, Augúrio e Eulógio, foram queimados vivos no anfiteatro romano — os primeiros mártires da Espanha. A segunda é que o maior contingente de beatificados — 147 ao todo — pertencia a essa antiga diocese espanhola, entre eles o bispo auxiliar Manuel Borrás Ferré e os jovens seminaristas Joan Montpeó Masip, de 20 anos, e Josep Gassol Montseny, de 22 anos. A maioria dos mártires foi morta durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), no contexto da perseguição religiosa do chamado Terror Vermelho; dois deles, porém, haviam sido mortos antes, em 13 de outubro de 1934. Por isso, a Conferência Episcopal Espanhola insistiu que os novos beatos não fossem classificados simplesmente como «mártires da Guerra Civil», mas como mártires da perseguição religiosa espanhola do século XX — uma distinção que busca não reduzir o martírio a um episódio político-militar. O cardeal Amato retomou esse ponto na homilia, afirmando tratar-se de vítimas «da perseguição contra a Igreja Católica na Espanha» e não da guerra civil enquanto tal.

Convém notar que a promulgação dessas beatificações agrupadas faz parte de um movimento mais amplo. Sob João Paulo II foram beatificados 233 mártires espanhóis em 11 de março de 2001; sob Bento XVI, os 498 mártires espanhóis em 28 de outubro de 2007, celebrados na Praça de São Pedro (uma das maiores beatificações coletivas da história, elevando o total de mártires beatificados a 977); e, em 2013, os 522 de Tarragona, elevando o total de beatos mártires espanhóis a 1.523, dos quais 11 já canonizados. Estima-se que a perseguição religiosa espanhola do século XX tenha feito mais de 10 mil mártires, segundo fontes da Igreja, e o processo de beatificação já fora iniciado para cerca de 2.000 pessoas.

Apesar da beatificação conjunta, cada mártir teve sua fama de martírio e as circunstâncias de sua morte examinadas individualmente pelo Vaticano dentro do processo histórico e canônico normal; o que se agrupa é a celebração pública final, não o rigor da investigação prévia de cada caso. Uma controvérsia assinala os limites desse critério: o Vaticano não incluiu no rol dos «mártires da Guerra Civil Espanhola» os cerca de 16 sacerdotes (inclusive bascos, como o arcipreste de Mondragón) executados pelo lado nacionalista de Franco, entre eles clérigos que tentaram impedir assassinatos — pois não teriam sido mortos «por ódio à fé» (in odium fidei), requisito para o reconhecimento do martírio. A decisão suscitou críticas de parentes de vítimas e de organizações políticas espanholas, que a consideraram seletiva.

Fontes

(6)
  • Angelo Cardeal Amato, Homilia na beatificação dos mártires espanhóis (Tarragona, 13 de outubro de 2013), texto em VincentWiki/FamVin
  • Vaticano, Mensagem em vídeo do Papa Francisco para a cerimônia de beatificação de 522 mártires espanhóis (Tarragona, 13 de outubro de 2013)
  • Canção Nova, «522 mártires serão beatificados na Espanha» (9 de outubro de 2013)
  • ACI Digital / Rádio Renascença, cobertura da beatificação de Tarragona (2013)
  • Cardeal Tarcisio Bertone, Agradecimento pela beatificação de 498 mártires espanhóis (Roma, 29 de outubro de 2007), vatican.va
  • Veritatis/Wikipédia, «Mártires da Guerra Civil Espanhola» e «498 mártires espanhóis»

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