Arte Sacra · Símbolo 5
O Peixe (Ichthys)
Um dos símbolos mais antigos do cristianismo, acróstico grego que professa a fé em Cristo Filho de Deus e Salvador, ligado desde cedo à Eucaristia e ao Batismo.

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A palavra grega "ichthys" (ἸΧΘΥΣ, peixe) é um acróstico: cada uma de suas cinco letras inicia uma palavra da confissão de fé "Iesous Christos Theou Yios Soter" (Ἰησοῦς Χριστός, Θεοῦ Υἱός, Σωτήρ) — "Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador". O símbolo é atestado desde o século II tanto em fontes textuais quanto arqueológicas. A mais antiga referência literária ao peixe como sinal cristão encontra-se em Clemente de Alexandria (nascido c. 150), que, no Pedagogo (III, 11), recomenda aos leitores mandar gravar nos anéis e selos a pomba ou o peixe — sem julgar necessária qualquer explicação, sinal de que o sentido do símbolo já era familiar. Tertuliano, no início do século III, aplica-o aos fiéis: "nós, peixinhos, à semelhança do nosso Ichthys, Jesus Cristo, nascemos na água" (De baptismo, 1). Santo Agostinho, na Cidade de Deus (XVIII), explica que as letras iniciais das cinco palavras gregas formam a palavra "peixe", sob a qual Cristo é misticamente entendido, referindo a passagem como uma profecia da Sibila Eritreia.
Dois testemunhos epigráficos dão ao símbolo sua dimensão eucarística. A inscrição de Abercius, bispo de Hierópolis da Frígia (fim do séc. II / início do III, tradicionalmente datada c. 216), descreve os deslocamentos do bispo de sua terra asiática até Roma — a "rainha de vestes de ouro" — e suas viagens com Paulo por companheiro; como alimento, diz ter recebido o "peixe do manancial, o grande, o puro", com pão e vinho misturado com água: símbolos eucarísticos por antonomásia. Os fragmentos originais foram recuperados por William Ramsay em 1883, reutilizados num muro das termas de Hierópolis, e hoje se conservam nos Museus Vaticanos (há um calco no Museo della Civiltà Romana). A inscrição de Pectorius, descoberta em 24 de junho de 1839 no cemitério de Saint-Pierre-l'Estrier, em Autun (França), foi gravada em grego, em metro, sobre uma tábula de mármore recuperada em fragmentos; o texto celebra o peixe como alimento espiritual e fala em "ter o peixe nas mãos", fórmula que a crítica discutiu por sugerir, além do pão e do vinho, um terceiro elemento. Sua datação, deduzida do estilo, da simbologia e da paleografia, aponta para o fim do século II ou início do III.
Nas catacumbas romanas o peixe aparece entre os principais símbolos cristãos: nas cenas eucarísticas, o alimento diante dos convivas é invariavelmente pão e peixe em pratos separados, como na célebre cena da Fractio Panis (cemitério de Priscila) e nos peixes sobre a relva, junto aos cestos de pão e vinho, na cripta de Lucina. Associado à pomba, à âncora e ao monograma de Cristo, aparece em afrescos, esculturas, anéis, selos e vidros dourados do século I ao IV; a partir do século II é frequente a forma do golfinho. O símbolo do peixe começa a declinar depois do século IV, quando as representações passam a ter caráter sobretudo ornamental, ligado à água batismal. O acróstico resume, assim, um breve credo em Cristo, Deus e Salvador, e permanece um dos sinais de reconhecimento mais antigos e mais difundidos do cristianismo.
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