Ir para o conteúdo
Compêndio CatólicoCatálogo de consulta · fé, doutrina e vida católica
Acender uma vela

Arte Sacra · Símbolo 4

Alfa e Ômega

As duas letras extremas do alfabeto grego, símbolo de Cristo como princípio e fim de toda a criação, e uma das primeiras confissões visuais da divindade de Cristo na arte cristã.

Alfa e Ômega
Dnalor 01 — Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0

Tamanho do texto

"Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor Deus" (Ap 1,8; cf. 21,6 e 22,13) — as duas letras extremas do alfabeto grego, colocadas lado a lado, tornaram-se símbolo direto dessa autoafirmação de Cristo como origem e destino de toda a história e de toda a criação. O título aparece três vezes no Apocalipse, e a distribuição não é acidental: no capítulo 1 aplica-se a Deus, "o que é, que era e que vem, o Todo-Poderoso"; nos dois últimos capítulos, a Cristo. Para boa parte dos exegetas, esse é um dos indícios de que o autor atribui a Cristo a própria divindade de Deus. A crítica textual registra ainda que Ap 1,11, em algumas versões mais tardias, repete "Eu sou o Alfa e o Ômega", mas essa frase não consta dos manuscritos mais antigos, como o Códice Alexandrino, o Sinaítico e o Ephraemi Rescriptus. A fórmula grega substitui o hebraico "primeiro e último" já usado em Isaías (Is 41,4; 44,6; 48,12) e reiterado no próprio Apocalipse (Ap 1,17-18; 2,8); o Alfa e o Ômega passa a ocupar, no texto grego, o lugar do תא hebraico (do alef ao tav) como expressão da totalidade.

A interpretação cristã do símbolo é atestada muito cedo. Clemente de Alexandria (m. c. 215) chama o Verbo de "Alfa e Ômega, aquele por quem só o fim se torna princípio e de novo termina no princípio original sem interrupção alguma" (Stromata IV,25). Tertuliano, no De Monogamia (v), também se refere a Cristo com esse título. No século IV, o poeta Prudêncio resume a leitura corrente nos versos do Cathemerinon (hino IX, 10-12): "Alpha et Omega cognominatus, ipse fons et clausula omnium quae sunt, fuerunt, quaeque post futura sunt" — isto é, o próprio início e o próprio encerramento de tudo o que é, foi e será.

Foi, porém, nos monumentos da cristandade primitiva que o Alfa e o Ômega conheceram sua maior difusão. A data mais antiga em que o símbolo ocorre é 295, numa inscrição datada de Roma, na qual o Ômega aparece com precedência sobre o Alfa e ambas as letras fazem parte do próprio texto epigráfico. Num afresco de meados do século IV, na "grande gruta" da catacumba de Pretextato, Alfa e Ômega surgem ligados à cruz monogramática; a inscrição mais antiga em que as letras aparecem na forma tradicional data de 364. A partir de então tornaram-se símbolo preferido dos cristãos ortodoxos — os arianos, justamente por negarem a plena divindade do Filho, olhavam o símbolo com desagrado, o que faz dele uma espécie de senha antiáriana. As letras eram representadas de três modos: isoladas; em conexão com figuras humanas; ou combinadas a outros símbolos, como a cruz e o crismon (Chi-Rho). Na tábua de pedra da catacumba de Domitila, em Roma, por exemplo, o Chi-Rho é flanqueado pelo Alfa e pelo Ômega.

No uso litúrgico, a fórmula fixou-se sobretudo no Círio Pascal. Na Vigília Pascal, após a bênção do fogo novo, o sacerdote traça sobre o círio uma cruz, os algarismos do ano em curso e as letras gregas Alfa e Ômega, proclamando: "Cristo ontem e hoje, Princípio e Fim, Alfa e Ômega. Dele são o tempo e a eternidade." O gesto inscreve a Páscoa de Cristo no tempo humano e proclama-o Senhor da história — da mesma forma que as letras, gravadas também em lápides, selavam a esperança da ressurreição dos fiéis.

Temas relacionados

Cada tema abre a busca por ele em todas as categorias do acervo.

Fontes

  • Bíblia de Jerusalém / Bíblia Ave-Maria, Ap 1,8; 21,6; 22,13 (e Is 41,4; 44,6; 48,12; Ap 1,17-18; 2,8)
  • Clemente de Alexandria, Stromata IV,25
  • Tertuliano, De Monogamia, v
  • Prudêncio, Cathemerinon, hino IX, 10-12 ("Alpha et Omega cognominatus, ipse fons et clausula omnium quae sunt, fuerunt, quaeque post futura sunt")
  • The Catholic Encyclopedia (1913), verbetes "Alpha and Omega (in Scripture)" e "Alpha and Omega (in Jewish Theology)"
  • Missal Romano, Vigília Pascal — bênção do fogo novo e inscrição do Círio Pascal

Continue sua leitura

← Todas as entradas de Arte Sacra