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Arte Sacra · Símbolo 3

Crismon (Chi-Rho)

As duas primeiras letras gregas da palavra "Cristo" sobrepostas, um dos símbolos cristãos mais antigos, associado à vitória de Constantino na Ponte Mílvia.

Crismon (Chi-Rho)
CNG.[1] — Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0

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O Crismon, ou Chi-Rho, sobrepõe as letras gregas Chi (Χ) e Ro (Ρ), as duas primeiras da palavra ΧΡΙΣΤΟΣ (Christos, "Cristo"), de tal modo que a haste vertical do rô cruza o centro do chi. É uma das formas mais antigas do cristograma, atestada desde a Antiguidade tardia. No século IV, segundo relato de Lactâncio em De Mortibus Persecutorum (c. 315), Constantino teria visto um sinal de luz em forma de cruz antes de enfrentar Maxêncio; o bispo Eusébio de Cesareia, na Vida de Constantino (composta após 337), descreve uma cruz de luz sobre o sol acompanhada das palavras gregas "(ἐν) τούτῳ νίκα" — "com isto, vence" —, que a tradição latina verteu pela frase "in hoc signo vinces". Os dois relatos não são inteiramente coincidentes, mas a tradição os uniu à Batalha da Ponte Mílvia, travada em 28 de outubro de 312, e à subsequente adoção do estandarte militar com o monograma, o labarum. Segundo a narrativa tradicional, as tropas de Constantino pintaram o Chi-Rho nos escudos antes do combate; a vitória sobre Maxêncio, que morreu afogado no colapso de uma ponte de barcas no Tibre, abriu caminho para o Édito de Milão de 313, que concedeu tolerância aos cristãos.

Convém precisar um ponto frequentemente deturpado: a frase "in hoc signo vinces" é uma fórmula latina posterior, e não a citação literal de Eusébio, que registra as palavras gregas. O sinal descrito por Eusébio é, além disso, um cristograma (Chi-Rho, por vezes com Alfa e Ômega), enquanto Lactâncio fala de um tropaion em forma de cruz. Os historiadores observam ainda que o relato de Eusébio é o mais tardio e o mais problemático dos três: escrito depois da morte de Constantino, ele não consta do De mortibus persecutorum nem da História Eclesiástica do próprio Eusébio, e nem sequer situa a visão nos dias 27–28 de outubro de 312 — o que leva alguns estudiosos a duvidar da literalidade do episódio. A partir de Constantino, o Chi-Rho difundiu-se por escudos, moedas, sarcófagos, catacumbas e edifícios cristãos, e desde então aparece com frequência ladeado pelo Alfa e pelo Ômega, primeira e última letras do alfabeto grego, aludindo a Cristo como princípio e fim (Ap 1,8).

O próprio nome "crismon" liga-se a uma tradição milanesa: segundo Landulfo de Milão (século XII), Santo Ambrósio teria usado o símbolo para introduzir os catecúmenos nos mistérios da fé, e o termo "crismon" (do grego chresmos, "oráculo") teria daí derivado, dando origem ao nome latino do símbolo. A essa tradição corresponde a célebre laje de mármore conhecida como Chrismon Sancti Ambrosii, conservada no Duomo de Milão, com o monograma Chi-Rho e o Alfa e Ômega inscritos num círculo; uma moldura barroca, acrescentada em 1669, traz a inscrição latina que interpreta o símbolo: "Circulus hic Summi continet nomina Regis / Quem sine principio et sine fine vides / Principium cum fine tibi denotat Α Ω" — "este círculo contém o nome do Rei Altíssimo, que vês sem princípio e sem fim; o Alfa e o Ômega significam para ti o princípio e o fim". O Chi-Rho aparece ainda cercado por uma coroa de louros no sarcófago do século IV atribuído à família Domitila, em Roma, onde a grinalda simboliza a vitória da Ressurreição sobre a morte.

Nas artes do livro, o Chi-Rho foi amplamente empregado: a página do famoso Livro de Kells (fólio 34r) abre o relato da Natividade com uma inicial Chi-Rho ricamente ornamentada. O símbolo mantém-se vivo na arte sacra contemporânea, gravado em cálices, alfaias, frontões e mosaicos, e serve de emblema a instituições eclesiásticas e educacionais.

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Fontes

  • Eusébio de Cesareia, Vida de Constantino, livro I (relato da visão e do labarum)
  • Lactâncio, De Mortibus Persecutorum (c. 315)
  • Encyclopaedia Britannica, verbete 'Battle of the Milvian Bridge' (data de 28 de outubro de 312; discussão crítica sobre o relato de Eusébio)
  • Chi Rho, Wikipédia em inglês (sarcófago de Domitila, crismon de Santo Ambrósio, Livro de Kells)
  • Wikimedia Commons: File:Chrismon Sancti Ambrosii.jpg (inscrição latina do Duomo de Milão, moldura de 1669)

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