Arte Sacra · Símbolo 2
IHS
O trigrama formado pelas três primeiras letras do nome de Jesus em grego, difundido por São Bernardino de Sena e adotado como emblema da Companhia de Jesus.

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IHS deriva das três primeiras letras do nome "Jesus" em grego (ΙΗΣΟΥΣ — Iota, Eta, Sigma), transliteradas para o alfabeto latino (IHS ou JHS). É uma das formas do cristograma ocidental, o monograma que abrevia o nome de Cristo. A devoção ao Santíssimo Nome desenvolveu-se sobretudo a partir dos séculos XII e XIII, com raízes em autores como Santo Anselmo de Cantuária († 1109) e São Bernardo de Claraval († 1153); São Francisco de Assis, em seu Testamento, já recomendava recolher e guardar em lugar digno os nomes do Senhor escritos em lugares inconvenientes.
O grande propagador do trigrama foi o franciscano São Bernardino de Sena (1380–1444), um dos pregadores mais famosos da Itália do século XV, que percorreu a península pregando o Nome de Jesus como instrumento de reconciliação entre famílias e facções rivais (guelfos e gibelinos). Para dar eficácia visual à mensagem, Bernardino costumava pregar segurando uma tábua de madeira com o monograma pintado em letras góticas douradas, que enriquecia com uma cruz sobre a letra H (ou tau), em alusão à Paixão, e com um sol flamejante de doze raios ondulados em torno das letras, remetendo à Ressurreição. A prática causou controvérsia: por volta de 1427 foi acusado de idolatria e novidade perigosa por setores de teólogos dominicanos e agostinianos, temerosos de que o povo adorasse a tábua física como amuleto, e intimado a comparecer a Roma perante o papa Martinho V. Na controvérsia pública, com o apoio de seu discípulo São João de Capistrano, foi reconhecida a ortodoxia da devoção; o papa aprovou-a em 1427 e pediu que a cruz fosse incluída no monograma, seguindo-se uma procissão solene pelas ruas de Roma. Mais tarde, em 1455, o papa Calisto III pediu a São João de Capistrano que pregasse uma cruzada invocando o Santíssimo Nome contra os turcos otomanos, cuja derrota diante de Belgrado, em 1456, foi atribuída a essa invocação.
A difusão do IHS não se limitou ao uso devocional: o monograma, sobre fundo de sol resplandecente, foi usado na Itália do século XV para substituir em espaços públicos tanto símbolos pagãos quanto os emblemas das facções políticas. A festa do Santíssimo Nome de Jesus, celebrada inicialmente a nível local, foi estendida a toda a Igreja Católica pelo papa Inocêncio XIII em 20 de dezembro de 1721, a pedido do imperador Carlos VI da Alemanha, fixando-se então no segundo domingo depois da Epifania; a reforma de Pio X (motu proprio Abhinc duos annos, 1913) moveu-a para o domingo entre 2 e 5 de janeiro, e João Paulo II reinstituiu-a em 3 de janeiro. Em 1530 Clemente VII havia ordenado aos franciscanos o ofício do Santíssimo Nome, com o hino "Iesu decus angelicum". Em 1862 Pio IX aprovou a Ladainha do Santíssimo Nome de Jesus, depois endossada por Leão XIII para toda a Igreja.
Posteriormente, o IHS foi adotado como emblema oficial da Companhia de Jesus: Santo Inácio de Loyola tomou o monograma como seu selo ao ser eleito primeiro Superior Geral em 1541, e assim ele se tornou emblema do instituto; sua forma jesuíta traz o H coroado por uma cruz, sobre três cravos (alusão aos cravos da Paixão) e rodeado de sol. O motivo aparece esculpido em fachadas de igrejas — como na do Gesù, em Roma, onde coroa o altar-mor, e no teto da nave, na "Apoteose do Nome de Jesus" (1676–79) de Baciccio —, bordado em paramentos e gravado em vasos sagrados, lápides e objetos de devoção. A leitura popular — não etimológica — do trigrama como sigla da frase latina "Iesus Hominum Salvator" ("Jesus, Salvador dos homens") consagrou-se pelo uso, ainda que sua origem sejam as letras gregas do próprio nome.
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