Arte Sacra · Símbolo 1
O Crucifixo
A cruz com o corpo de Cristo, símbolo central da fé católica, exigida pela norma litúrgica junto a cada altar de celebração.

Tamanho do texto
O crucifixo — a cruz com a imagem do corpo de Cristo crucificado — condensa visualmente o núcleo da fé cristã: a Paixão e a Morte de Jesus como ato supremo de amor redentor. Distingue-se da cruz nua (mais frequente em contextos protestantes, que tendem a enfatizar a Ressurreição) por manter visível o Crucificado. Sua legitimidade doutrinal remonta ao Segundo Concílio de Niceia (787), o sétimo concílio ecumênico, que, encerrando a crise iconoclasta, reafirmou a veneração das imagens sagradas e distinguiu a adoração (latria), devida somente a Deus, da veneração (dulia) prestada às imagens — cuja honra passa a quem nelas é representado. O argumento decisivo era cristológico: porque o Verbo se fez homem e teve um rosto visível, é lícito representá-lo.
Na disciplina litúrgica católica, o crucifixo é exigido junto ao altar. A Instrução Geral do Missal Romano (edição típica terceira, 2002), no n. 308, determina: "Haja também sobre o altar ou perto dele uma cruz com a imagem de Cristo crucificado, que seja claramente visível ao povo reunido. Convém que essa cruz [...] permaneça junto ao altar também fora das celebrações litúrgicas". A norma, portanto, não pede meramente uma cruz, mas uma cruz com a effigie Christi crucifixi — o corpo do Crucificado — bem visível à assembleia.
A presença do crucifixo em espaços públicos foi objeto de disputa jurídica recente. No caso Lautsi contra a Itália, a Segunda Câmara do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos decidiu em 3 de novembro de 2009, por unanimidade, que a exposição obrigatória do crucifixo nas salas de aula estatais italianas violava a liberdade religiosa e o direito à educação. A decisão provocou reação inédita: dez Estados-membros do Conselho da Europa ingressaram na causa em apoio à Itália, e o governo italiano recorreu à Grande Chambre, que em 18 de março de 2011 reverteu o julgado por 15 votos a 2, entendendo que a decisão de perpetuar uma tradição cabe à margem de apreciação nacional e que "um crucifixo na parede é um símbolo essencialmente passivo", cuja influência sobre os alunos não se compara à do discurso didático.
Como obra de arte, um dos crucifixos mais célebres é o de Cimabue para a Basílica de Santa Croce, em Florença, pintado em têmpera sobre madeira por volta de 1265 (cerca de 4,5 metros de altura), encomendado pelos frades franciscanos e uma das primeiras obras italianas a romper com o estilo bizantino tardio pela representação mais corpórea de Cristo. Sobreviveu à inundação do rio Arno em 4 de novembro de 1966, que lhe arrancou boa parte da superfície pintada — estima-se a perda de cerca de 60% da pintura original — e foi submetido a uma restauração de dez anos conduzida por Umberto Baldini e Ornella Casazza, com método que optou por não disfarçar as lacunas. Sua fotografia submersa tornou-se uma das imagens-símbolo da catástrofe artística de Florença.
O crucifixo permanece, além do uso litúrgico, um dos sinais identitários mais imediatos da presença católica em lares, escolas e espaço público, e objeto recorrente de debates sobre laicidade do Estado e liberdade religiosa.
Continue sua leitura

Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)
Santos
Filósofa judia alemã convertida ao catolicismo, tornada carmelita descalça, morta em câmara de gás em Auschwitz; copadroeira da Europa.

São João da Cruz
Santos
Frade carmelita espanhol do século XVI, cofundador dos carmelitas descalços com Teresa de Ávila e mestre da mística da "noite escura".

São João da Cruz
Doutores da Igreja
Frade carmelita descalço do século XVI, cofundador da reforma do Carmelo com Santa Teresa de Ávila; chamado Doutor Místico.

As Cruzadas
História da Igreja
Série de expedições militares entre os séculos XI e XIII, convocadas para socorrer o Império Bizantino e retomar a Terra Santa do domínio muçulmano.
