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Arte Sacra · Símbolo 12

A Casula

A veste externa e mais visível do sacerdote na celebração da Missa, herdeira do manto romano, cuja forma variou do amplo manto circular à estreita casula romana e cuja cor muda conforme o tempo litúrgico.

A Casula
jacilluch — Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0

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A casula é a veste litúrgica externa usada pelo sacerdote durante a celebração da Missa, envolvendo todo o corpo como um manto sem mangas, colocada sobre a alva e a estola. A Instrução Geral do Missal Romano a apresenta como a veste própria do sacerdote celebrante (n. 337), vestida sobre a alva e a estola. Seu nome vem do latim casula, "pequena casa", porque envolvia quase inteiramente quem a vestia.

Antes de ser paramento litúrgico, a casula foi uma sobreveste comum no mundo greco-latino: a paenula (em grego, phainólē), manto de forma circular com abertura ao centro para passar a cabeça, por vezes com capuz, que cobria o corpo até os tornozelos e resguardava do frio e da chuva; dela deriva também o nome planeta. A partir dos séculos IV–V, a paenula saiu de moda no uso civil, mas a Igreja a conservou como veste dos seus pastores, talvez por sua gravidade e dignidade. No século VI já aparece nos mosaicos de Ravena e em documentos das áreas franca e hispânica, com uso cada vez mais restrito ao clero. Durante o período carolíngio, tornou-se veste exclusiva do sacerdote, ao passo que Roma já seguia essa norma desde o século VII; nas igrejas de rito oriental, a peça correspondente é o felônio.

Entre os séculos IX e XVII a peça sofreu modificações significativas. Para libertar os braços, recebeu cortes laterais progressivos, passando da forma circular à ovoide; depois se encurtou na frente, assumindo feição ligeiramente pontuda. Após o Concílio de Trento, São Carlos Borromeu tentou conter esses cortes nas suas Instructionum fabricae et supellectilis ecclesiasticae (Milão, 1577), fixando dimensões ainda generosas: a casula — que ele chama também de phelonium e planeta "por causa de sua largura" — devia ter cerca de três côvados de largura ou mais, para que, ao cair dos ombros, formasse uma dobra de pelo menos uma palma; devia ter comprimento semelhante, alcançando os calcanhares, com uma faixa de pelo menos oito onças de largura costurada de alto a baixo, à frente e atrás, e outra faixa transversal junto à parte superior, formando uma cruz de ambos os lados. Apesar disso, o processo de redução continuou até transformar a antiga casula num quase escapulário em forma de viola — a chamada casula romana —, com os dois painéis por vezes profusamente bordados. Nessa evolução há um paradoxo notável: quanto mais a veste se atrofiava, mais a ornamentação se hipertrofiava, a ponto de a peça se tornar quase mais ornamento do que veste. No século XIX a tendência se inverteu, com a redescoberta das formas antigas — a casula gótica, ampla e fluida, inspirada em modelos medievais —, movimento assumido pelo movimento litúrgico, que promoveu a renovação dos paramentos e dos objetos sagrados, e consolidado no período pós-conciliar.

A casula segue rigorosamente as cores do calendário litúrgico. A Instrução Geral do Missal Romano (§§ 345–346) explica que a diversidade de cores tem por finalidade exprimir o caráter peculiar dos mistérios celebrados e o sentido progressivo do ano litúrgico: branco ou dourado nas solenidades do Senhor e dos santos não mártires e nos tempos pascal e natalino; vermelho no Domingo de Ramos, na Sexta-feira Santa, em Pentecostes, nas festas dos apóstolos e evangelistas e dos mártires; verde no Tempo Comum; roxo no Advento e na Quaresma; preto, onde for costume, nas Missas de defuntos; e rosa, onde for costume, nos domingos Gaudete (III do Advento) e Laetare (IV da Quaresma). Os modelos gótico e romano podem ser usados em ambas as formas do rito romano, e, salvo exigência de harmonia do conjunto, é permitido que celebrantes de uma mesma Missa usem modelos diversos.

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Fontes

  • Instrução Geral do Missal Romano (IGMR), nn. 337, 342, 345–346
  • São Carlos Borromeu, Instructionum fabricae et supellectilis ecclesiasticae (Milão, 1577), Livro II, n. 20 ('A Casula')
  • Voz Portucalense, 'Casula: arte, história e sentido de uma veste' (2025)
  • Centro de Estudos de História Religiosa (UCP), verbete 'Vestes litúrgicas'
  • Wikipédia, 'Casula' (formas gótica e romana)

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