Arte Sacra · Símbolo 12
A Casula
A veste externa e mais visível do sacerdote na celebração da Missa, herdeira do manto romano, cuja forma variou do amplo manto circular à estreita casula romana e cuja cor muda conforme o tempo litúrgico.

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A casula é a veste litúrgica externa usada pelo sacerdote durante a celebração da Missa, envolvendo todo o corpo como um manto sem mangas, colocada sobre a alva e a estola. A Instrução Geral do Missal Romano a apresenta como a veste própria do sacerdote celebrante (n. 337), vestida sobre a alva e a estola. Seu nome vem do latim casula, "pequena casa", porque envolvia quase inteiramente quem a vestia.
Antes de ser paramento litúrgico, a casula foi uma sobreveste comum no mundo greco-latino: a paenula (em grego, phainólē), manto de forma circular com abertura ao centro para passar a cabeça, por vezes com capuz, que cobria o corpo até os tornozelos e resguardava do frio e da chuva; dela deriva também o nome planeta. A partir dos séculos IV–V, a paenula saiu de moda no uso civil, mas a Igreja a conservou como veste dos seus pastores, talvez por sua gravidade e dignidade. No século VI já aparece nos mosaicos de Ravena e em documentos das áreas franca e hispânica, com uso cada vez mais restrito ao clero. Durante o período carolíngio, tornou-se veste exclusiva do sacerdote, ao passo que Roma já seguia essa norma desde o século VII; nas igrejas de rito oriental, a peça correspondente é o felônio.
Entre os séculos IX e XVII a peça sofreu modificações significativas. Para libertar os braços, recebeu cortes laterais progressivos, passando da forma circular à ovoide; depois se encurtou na frente, assumindo feição ligeiramente pontuda. Após o Concílio de Trento, São Carlos Borromeu tentou conter esses cortes nas suas Instructionum fabricae et supellectilis ecclesiasticae (Milão, 1577), fixando dimensões ainda generosas: a casula — que ele chama também de phelonium e planeta "por causa de sua largura" — devia ter cerca de três côvados de largura ou mais, para que, ao cair dos ombros, formasse uma dobra de pelo menos uma palma; devia ter comprimento semelhante, alcançando os calcanhares, com uma faixa de pelo menos oito onças de largura costurada de alto a baixo, à frente e atrás, e outra faixa transversal junto à parte superior, formando uma cruz de ambos os lados. Apesar disso, o processo de redução continuou até transformar a antiga casula num quase escapulário em forma de viola — a chamada casula romana —, com os dois painéis por vezes profusamente bordados. Nessa evolução há um paradoxo notável: quanto mais a veste se atrofiava, mais a ornamentação se hipertrofiava, a ponto de a peça se tornar quase mais ornamento do que veste. No século XIX a tendência se inverteu, com a redescoberta das formas antigas — a casula gótica, ampla e fluida, inspirada em modelos medievais —, movimento assumido pelo movimento litúrgico, que promoveu a renovação dos paramentos e dos objetos sagrados, e consolidado no período pós-conciliar.
A casula segue rigorosamente as cores do calendário litúrgico. A Instrução Geral do Missal Romano (§§ 345–346) explica que a diversidade de cores tem por finalidade exprimir o caráter peculiar dos mistérios celebrados e o sentido progressivo do ano litúrgico: branco ou dourado nas solenidades do Senhor e dos santos não mártires e nos tempos pascal e natalino; vermelho no Domingo de Ramos, na Sexta-feira Santa, em Pentecostes, nas festas dos apóstolos e evangelistas e dos mártires; verde no Tempo Comum; roxo no Advento e na Quaresma; preto, onde for costume, nas Missas de defuntos; e rosa, onde for costume, nos domingos Gaudete (III do Advento) e Laetare (IV da Quaresma). Os modelos gótico e romano podem ser usados em ambas as formas do rito romano, e, salvo exigência de harmonia do conjunto, é permitido que celebrantes de uma mesma Missa usem modelos diversos.
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Os Paramentos Litúrgicos
Vida Litúrgica
Vestes usadas pelos ministros na celebração da Missa — amito, alva, cíngulo, estola e casula — cada uma com um significado simbólico próprio e uma oração tradicional ao ser vestida.

Dalmática
Glossário
Veste litúrgica com mangas, própria do diácono (e, nas celebrações solenes, também do bispo sob a casula), originária da antiga Dalmácia.
Estola
Glossário
Faixa de tecido usada sobre os ombros, sinal distintivo do caráter sacerdotal ou diaconal do ministro.
Pálio
Glossário
Faixa de lã branca com cruzes pretas, insígnia papal conferida também a arcebispos metropolitanos.
