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Dalmática

Veste litúrgica com mangas, própria do diácono (e, nas celebrações solenes, também do bispo sob a casula), originária da antiga Dalmácia.

Dalmática
Foto: James Bradley, 2010 (CC BY 2.0)

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A dalmática é a veste externa própria do diácono na liturgia, análoga à casula do sacerdote, porém de formato mais amplo e com mangas. O nome vem da Dalmácia, região do Império Romano (atual Croácia), onde essa túnica era usada; adotada em Roma pelos senadores e por pessoas de destaque, passou depois ao uso cristão. Já nos séculos II-III chamava-se em Roma dalmática uma túnica branca exterior, de mangas largas, ornamentada de vários modos, por exemplo com duas faixas verticais de púrpura; nas catacumbas aparecem figuras de orantes revestidos com ela.

Segundo o Liber Pontificalis, foi o papa Silvestre I (314-335) quem introduziu a dalmática no uso litúrgico, e já na primeira metade do século IV seu uso era comum em Roma — o papa a usava sob a casula, e os diáconos como veste externa. Na disciplina romana antiga, bispos não papas e diáconos não romanos só podiam usá-la com permissão expressa ou tácita do papa; o papa Símaco (498-514), por exemplo, concedeu-a aos diáconos de Santo Cesário de Arles. A partir do século IV tornou-se característica também dos bispos, e depois dos diáconos, que assim aparecem representados em mosaicos (como os de Ravena).

A ornamentação primitiva consistia sobretudo de duas listras estreitas, os clavi, que desciam em linha reta pela frente e pelas costas, e de uma faixa estreita junto às mangas; já no século VII encontram-se franjas, aplicadas nas mangas ou nas aberturas laterais. Por volta do século IX surgiu o costume, mantido até o XIII, de colocar tufos de franja vermelha nos clavi e nas faixas das mangas. Quando se prescreveram cores para a casula, passaram elas também a ser observadas na dalmática.

Na tradição romana firmou-se o costume de omitir a dalmática nos dias penitenciais — uso que, nascido em Roma, era universal no século XII; nesses dias o diácono usava apenas a alva ou, em seu lugar, a planeta plicata (casula dobrada, de cor escura). Abria-se exceção na Quinta-Feira Santa, quando se usavam as vestes festivas. Antigamente a dalmática era rara nas Missas de defuntos, tornando-se geral no fim da Idade Média.

Atualmente, a Instrução Geral sobre o Missal Romano (n. 338) determina que 'a veste própria do diácono é a dalmática sobre a alva e a estola', admitindo que, por necessidade ou em celebrações menos solenes, a dalmática seja dispensada. Na ordenação dos diáconos, a imposição da dalmática é um dos gestos complementares do sacramento. Também os bispos e abades mitrados podem usá-la na Missa solene, por baixo da casula, podendo ser sempre branca (Cerimonial dos Bispos, n. 56).

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Fontes

  • Institutio Generalis Missalis Romani, n. 338
  • Cerimonial dos Bispos, n. 56
  • Liber Pontificalis (vida do papa Silvestre I)
  • Secretariado Nacional de Liturgia de Portugal, Dicionário elementar de liturgia (José Aldazábal), verbete 'dalmática'
  • Enciclopédia Católica, verbete 'Dalmatic'
  • Wikimedia Commons, File:Deacon dalmatic 20100418.jpg

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