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Catálogo de consulta · fé, doutrina e vida católica

CompêndioCatólico

Arte Sacra · Símbolo 23

Cálice e Patena

Os dois vasos sagrados centrais da Missa, que servem para oferecer, consagrar e comungar o pão e o vinho eucarísticos.

Cálice e Patena
Foto: Photo-Monique, 2014, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

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O cálice é o copo no qual se põem o vinho e um pouco de água do sacrifício eucarístico e, depois da consagração, o Sangue de Cristo; a patena é o pequeno prato, geralmente dourado e levemente côncavo, sobre o qual se coloca o pão a ser consagrado. A Instrução Geral do Missal Romano os distingue expressamente entre os vasos sagrados: são aqueles «que servem para oferecer, consagrar e comungar o Pão e o vinho» (IGMR 327), o que faz deles os vasos mais centrais de toda celebração da Missa.

A matéria e a forma seguem normas precisas. Os vasos sagrados «devem ser fabricados de metal nobre»; se forem de metal oxidável ou menos nobre que o ouro, «normalmente devem ser dourados por dentro» (IGMR 328), e «a copa deve ser de material que não absorva os líquidos» (IGMR 330). Com a confirmação da Sé Apostólica, a juízo das Conferências Episcopais admite-se também o marfim e «certas madeiras muito duras» (IGMR 329). Quanto à forma, compete ao artista dar-lhe a que melhor se adapte aos costumes de cada região, desde que seja adequada ao uso litúrgico (IGMR 295); e, antes de destinados exclusivamente à Eucaristia, os vasos recebem um rito próprio de bênção ou consagração (IGMR 296; Cerimonial das Bênçãos, 1068-1073). Esse caráter reservado expressa diante da comunidade a distinção entre os objetos do culto divino e qualquer uso profano.

A legislação também regula o que vai sobre o altar. A IGMR 293 recomenda que, «para a consagração das hóstias, será conveniente utilizar uma patena única, maior, na qual se colocará o pão quer para o celebrante, quer para os ministros e fiéis». Essa indicação recupera, em parte, um uso antigo: nos primeiros séculos a patena era um prato amplo, usado para recolher o pão oferecido pelos fiéis e para distribuir os fragmentos consagrados na comunhão. Quando, por volta do século IX, arrefeceu a comunhão frequente, «o uso das grandes e proporcionalmente profundas patinae ministeriales caiu em desuso», e generalizou-se uma patena muito menor, de uso exclusivo do sacerdote no altar, para conter a Hóstia e evitar a dispersão de partículas. Depois da comunhão, o sacerdote ou o ministro purifica a patena ou a píxide sobre o cálice, enquanto diz em silêncio a oração «O que em nossa boca recebemos» (Quod ore sumpsimus), e limpa o cálice com o sanguinho (IGMR, Ritos de conclusão).

No ofertório, a celebração do cálice é acompanhada de um gesto de sentido teológico: derrama-se no vinho uma gota de água. A tradição explica esse mistério como a união da natureza divina e da natureza humana em Cristo, e da Igreja com o seu Senhor — tema que ecoa na oração que acompanha o gesto, «Deus, que criastes a natureza humana...» (Deus, qui humanae substantiae). A água, que também representa a humanidade, é unida ao vinho que representa Cristo, para significar a íntima participação do povo na oblação do sacrifício eucarístico.

O conjunto — cálice e patena — remonta ao próprio gesto de Cristo na Última Ceia, que «tomou o pão e o cálice»; por isso a tradição litúrgica os trata com o maior cuidado material e simbólico entre os vasos do altar.

Fontes

(5)
  • Instrução Geral do Missal Romano, nn. 289-296 e 327-334 (matéria, forma, bênção dos vasos; patena única maior no n. 293)
  • Lírio Católico, Dicionário Litúrgico, verbete «vasos sagrados», citando IGMR e Sacrosanctum Concilium 122
  • Enciclopédia Católica (via Lírio Católico), verbete «Patena» (origem e queda em desuso das patenae ministeriales por volta do séc. IX)
  • Instrução Geral do Missal Romano, ritos da comunhão e purificação dos vasos (oração Quod ore sumpsimus)
  • Wikimedia Commons, File:Chalice and paten of Charles de Foucauld.jpg

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