Arte Sacra · Símbolo 24
A Âmbula (Cibório)
O vaso sagrado com tampa — chamado âmbula, cibório ou píxide — usado para guardar as hóstias consagradas no sacrário e distribuí-las na comunhão dos fiéis.

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A âmbula, também chamada cibório ou píxide, é o vaso sagrado em forma de cálice com tampa, destinado a conter as hóstias consagradas, tanto para a comunhão da assembleia quanto para a reserva eucarística no sacrário. Os três nomes são corretos, mas predominaram em épocas diferentes: cibório (do latim medieval ciborium, por sua vez do grego κιβώριον, kibórion, «copo para beber») foi o termo mais comum em séculos passados; píxide vem do grego pyxís, «caixa de madeira de buxo», designando a caixinha redonda com tampa; âmbula, do latim ampulla, liga-se à ideia de «transportar». Ao lado da âmbula grande de sacrário, é corrente a distinção de uma píxide menor (ou teca), usada para levar a comunhão aos doentes e acamados.
O nome «cibório» tem, porém, um segundo emprego que convém não confundir. Em arquitetura cristã, cibório — em português também «baldaquino» — designa o dossel de pedra ou madeira sustentado por colunas e erguido sobre o altar, comum nas basílicas paleocristãs e românicas; o célebre baldaquino de bronze de Bernini em São Pedro do Vaticano pertence a essa família. Os dois sentidos, o do vaso e o do dossel, derivam do mesmo vocábulo grego e coexistem, razão pela qual as fontes costumam distingui-los explicitamente.
Historicamente, os primeiros cibórios não se destinavam à igreja: nas comunidades antigas, a Eucaristia não era habitualmente conservada nos templos, por temor de sacrilégio ou profanação, e os primeiros recipientes ficavam em casas particulares, à mão para a comunhão dos enfermos e o viático. Quando o culto eucarístico se intensificou — sobretudo a partir do século XIII, com a instituição da festa de Corpus Christi (1246/1264) —, consolidou-se o uso do cibório/tampa para a reserva no sacrário.
O uso deste vaso está enquadrado por normas canônicas precisas. O Código de Direito Canônico determina que a Santíssima Eucaristia seja conservada habitualmente em um só sacrário da igreja ou oratório (cân. 938 §1), situado em lugar destacado, bem decorado e próprio para a oração (cân. 938 §2), imóvel, de material sólido e opaco e fechado de modo a evitar o perigo de profanação (cân. 938 §3). Prescreve ainda que as hóstias consagradas sejam guardadas «numa píxide ou pequeno vaso» em quantidade suficiente para as necessidades dos fiéis, renovadas com frequência e as mais antigas consumidas devidamente (cân. 939), e que uma lâmpada especial brilhe continuamente diante do sacrário que indica e honra a presença de Cristo (cân. 940).
Diferentemente do ostensório — peça semelhante, também presente neste acervo, mas destinada a expor a Hóstia à adoração pública —, a âmbula tem função de guarda e de transporte discretos das espécies eucarísticas, e por isso é munida de tampa e, com frequência, coberta por um véu. Em relação aos materiais, vale para ela o mesmo critério exigido de todos os vasos que recebem as hóstias: no caso de a hóstia ser colocada diretamente no vaso, este deve ser de metal nobre ou, ao menos, dourado por dentro (cf. IGMR 328-329).
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