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Arte Sacra · Símbolo 25

A Cruz Patriarcal

A cruz latina com um segundo braço curto acima do maior, usada como insígnia de patriarcas e arcebispos e indistinguível, na forma, da cruz de Lorena.

A Cruz Patriarcal

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A cruz patriarcal, também chamada cruz dobrada ou cruz arquiepiscopal, é uma variante da cruz latina que acrescenta, acima do braço principal, um segundo braço menor mais próximo do topo. A leitura tradicional associa esse braço adicional ao titulus crucis, a placa que os soldados romanos fixaram sobre a cabeça de Jesus com a inscrição "INRI" (Iesus Nazarenus Rex Iudaeorum), de modo que os dois braços juntos lembrariam tanto a cruz de Cristo quanto o título que a acompanhava.

O registro material mais antigo e datável da cruz de dois braços é numismático: ela aparece regularmente na moeda do Império Bizantino a partir do segundo reinado do imperador Justiniano II (705–711), que é representado no sólido segurando um globus cruciger encimado por uma cruz patriarcal. O exemplo é conservado, entre outros acervos, na coleção de moedas bizantinas do Dumbarton Oaks. Também se registra na numária e na heráldica do Ocidente medieval: o bispo Béla III da Hungria (1148–1196), que vivera em Constantinopla, teria levado a cruz de dois braços para o seu escudo, e ela figura entre os elementos principais das armas da Hungria ao menos desde cerca de 1190, passando depois às armas da Lituânia (no escudo do cavaleiro Vytis, na Pahonia) e, entre 1577 e 1625, às da Rússia, entre as cabeças da águia bicéfala. Em livros medievais de peregrinação, a cruz patriarcal já servia para assinalar os locais onde se podia obter indulgência plenária, enquanto a cruz latina simples indicava a indulgência parcial.

Sua adoção como insígnia de dignidade eclesiástica é o que lhe dá o nome: distingue patriarcas e arcebispos, em contraste com a cruz peitoral de um só braço usada pelos bispos. Na heráldica eclesiástica, a cruz arquiepiscopal de dois braços aparece no brasão dos arcebispos, ao lado do chapéu verde de dez borlas de cada lado; o papa, por sua vez, usa uma cruz de três braços. Ao mesmo tempo, a cruz patriarcal é iconograficamente muito frequente na arte greco-bizantina e nas Igrejas ortodoxas orientais; na versão russa e eslava acrescenta-se por vezes um terceiro travessão curto e inclinado junto ao pé, o que a aproxima da chamada cruz ortodoxa russa.

A forma da cruz patriarcal é praticamente idêntica à da cruz de Lorena, e as duas designações são frequentemente usadas de modo intercambiável. A cruz de Lorena (Croix de Lorraine), também chamada cruz de Anjou, figurava na simbologia dos duques de Anjou, que se tornaram duques de Lorena a partir de 1431; na versão mais antiga, os dois braços eram do mesmo tamanho. Renato II da Lorena (1451–1508) foi o primeiro a incorporá-la como símbolo do ducado, em oposição à cruz de Borgonha, e a tradição a liga à Batalha de Nancy (5 de janeiro de 1477), na qual venceu Carlos, o Temerário, duque da Borgonha. Já no século XX, a cruz de Lorena foi escolhida por Émile Muselier, vice-almirante e lorenês de origem, e adotada pela França Livre em 1º de julho de 1940 como emblema de resistência em oposição à cruz gamada nazista, tornando-se símbolo do gaullismo. Essa dupla vida — insígnia eclesiástica e símbolo político e nacional — explica por que a mesma cruz de dois braços aparece tanto no brasão de um arcebispo quanto nas armas da Hungria, da Lituânia ou da antiga Eslováquia.

Fontes

(6)
  • Wikipédia (inglês), «Patriarchal cross»
  • Wikipédia (espanhol), «Cruz patriarcal» e «Cruz de Lorena»
  • Wikipédia (inglês), «Archiepiscopal cross» e «Battle of Nancy»
  • Dumbarton Oaks, coleção de moedas bizantinas, «Solidus of Justinian II (705–711)», acessão BZC.1948.17.2391
  • Liberation Route Europe, «Croix de Lorraine»
  • Escobar, dissertação «Brasões Episcopais: Registro e Memória Visual da Bahia», UEFS

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