Anjos e Demônios
Os Anjos na Sagrada Escritura
A presença constante de mensageiros celestes ao longo de toda a narrativa bíblica, do Gênesis ao Apocalipse, e o dado filológico que revela no nome 'anjo' uma missão, não uma natureza.

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A palavra hebraica para designar essas criaturas é mal'akh, e a grega correspondente é ángelos; ambas significam simplesmente "mensageiro" ou "enviado". É o contexto, não o vocábulo, que distingue se se trata de um mensageiro humano, de um enviado celeste ou de uma manifestação do próprio Deus. Santo Agostinho resumiu essa intuição numa fórmula que o Catecismo recolhe (CIC 329): "Anjo é a designação do encargo, não da natureza. Se perguntares pela designação da natureza, é um espírito; se perguntares pelo encargo, é um anjo: é espírito por aquilo que é, é anjo por aquilo que faz". O Catecismo acrescenta que "a existência dos seres espirituais, não corporais, a que a Sagrada Escritura chama habitualmente anjos, é uma verdade de fé", atestada porque "o testemunho da Escritura a este respeito é tão claro quanto a unanimidade da Tradição" (CIC 328).
No Antigo Testamento, os anjos aparecem desde o princípio: fecham a entrada do paraíso terrestre (Gn 3,24), protegem Lot (Gn 19), salvam Agar e seu filho, detêm a mão de Abraão no sacrifício de Isaac e comunicam a Lei a Moisés (CIC 332). O querubim guarda o Éden (Gn 3,24); Isaías vê serafins cantando o "Santo, Santo, Santo" no templo (Is 6,1-3); o livro de Daniel narra o combate do mensageiro celestial contra o "príncipe do reino da Pérsia", socorrido por Miguel (Dn 10,13.20-21). A Escritura os apresenta como adoradores permanentes, mensageiros e executores da vontade divina — "poderosos executores da sua palavra" (Sl 103,20).
No Novo Testamento, o ministério angélico acompanha a Encarnação: é Gabriel quem anuncia a Zacarias o nascimento do Precursor e a Maria o do próprio Jesus (Lc 1,11-31); os anjos cantam "Glória a Deus nas alturas" no nascimento de Cristo (Lc 2,14), servem-no no deserto, confortam-no na agonia e anunciam a Ressurreição e a Ascensão às mulheres no túmulo e aos apóstolos. A Carta aos Hebreus define-os como "espíritos ao serviço de Deus, enviados a fim de exercerem um ministério a favor daqueles que hão de herdar a salvação" (Hb 1,14). Os anjos são de Cristo porque foram criados por Ele e para Ele (Cl 1,16): o Senhor chega a evocar o número imenso de suas hostes, dizendo que o Pai lhe enviaria "mais de doze legiões de anjos" (Mt 26,53), e o Apocalipse descreve miríades reunidas ao redor do trono (Ap 5,11).
Na vida da Igreja, "toda a vida... beneficia da ajuda misteriosa e poderosa dos anjos" (CIC 334). A liturgia associa-se a eles para adorar a Deus três vezes santo e invoca a sua assistência — como na antífona da Liturgia dos Defuntos, "In paradisum deducant te angeli" (CIC 335). Longe de serem um ornamento devocional, os anjos atravessam toda a história da salvação, "anunciando de longe ou de perto esta mesma salvação" (CIC 332).
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