Pecados · 5º pecado capital
Gula
Amor desordenado aos prazeres da comida e da bebida, que subordina a razão ao apetite; vício capital oposto à temperança e à sobriedade.

- Virtude oposta
- Temperança
Tamanho do texto
A gula é o amor desordenado aos prazeres da mesa — comer ou beber além da necessidade real, ou com excessiva preocupação e requinte —, de modo que o apetite passa a comandar a razão em vez de ser por ela governado. O Catecismo da Igreja Católica enumera-a entre os pecados capitais (n. 1866: soberba, avareza, inveja, ira, luxúria, gula e preguiça ou negligência), entendidos como raízes geradoras de outros pecados e vícios.
A primeira classificação sistemática das suas formas é de São Gregório Magno, no livro XXX dos "Moralia in Iob": "o vício da gula nos tenta de cinco maneiras" — adiantando a hora das refeições; buscando manjares mais requintados; desejando que o alimento seja preparado com demasiado esmero; excedendo na própria quantidade; e pecando pela ânsia de um desejo imenso. Santo Tomás de Aquino retoma essa divisão (Suma Teológica, II-II, q. 148, a. 4) e a resume no verso mnemônico praepropere (fora de tempo), laute (com luxo), nimis (demasiado), ardenter (com ardor) e studiose (com esmero excessivo). Como a gula também põe em risco a razão, Tomás discute em que casos constitui pecado mortal, distinguindo a desordem grave e deliberada da simples falta venial.
Seguindo ainda Gregório (Moralia XXXI), Tomás enumera as "filhas" ou efeitos da gula (II-II, q. 148, a. 6): a alegria tola ou indisciplinada (inepta laetitia), a bufoneria ou chocarrice (scurrilitas), a imundície ou impureza (immundicia), a loquacidade excessiva (multiloquium) e o embotamento da mente quanto à compreensão (hebetudo mentis circa intelligentiam). O embotamento é atribuído à "fumosidade" dos alimentos e da bebida, que perturba a inteligência; por contraste, a abstinência favorece a agudeza da percepção espiritual. A luxúria é o efeito mais frequente e nocivo que Tomás associa à gula.
Por ser vício oposto à virtude da temperança — e à sobriedade e à abstinência que dela decorrem —, os remédios tradicionais são a moderação no comer e no beber, o jejum e a disciplina. Na tradição ascética, a gula é considerada a primeira porta de entrada dos demais vícios: no ensinamento dos Padres, o domínio do apetite pela comida é condição para governar as demais paixões — formulação sintetizada na sentença de que "não é o alimento, mas o desejo, que está em falta".
Continue sua leitura

Os sete pecados capitais
Crisma
Soberba, avareza, inveja, ira, luxúria, gula e preguiça: vícios enraizados que geram e alimentam outros pecados.

Soberba
Pecados
O primeiro e, para a tradição espiritual, o mais grave dos pecados capitais: o amor desordenado da própria excelência.

Avareza
Pecados
Apego desordenado aos bens materiais e à riqueza, que fecha o coração à partilha e à confiança na providência de Deus.

Luxúria
Pecados
Busca desordenada do prazer sexual, desligada do sentido unitivo e procriativo que a Igreja reconhece na sexualidade humana.
