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Ordens Religiosas

Servos de Maria (Servitas)

Ordem mendicante fundada em Florença, em 1233, por sete comerciantes leigos, com devoção especial a Nossa Senhora das Dores.

Servos de Maria (Servitas)
Fundador
Sete Fundadores de Florença
Fundação
1233
Carisma
Devoção às dores de Nossa Senhora e vida comunitária apostólica

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A Ordem dos Servos de Maria — cujos frades são conhecidos como "servitas" — foi fundada em Florença, em 1233, por sete comerciantes de tecidos e lã pertencentes à classe média emergente da cidade. Segundo a tradição da Ordem, no dia 15 de agosto de 1233, festa da Assunção, a Virgem apareceu a esses sete leigos, que formavam uma confraria chamada dos Laudenses, e os convidou a renunciar ao mundo. Eles então repartiram seus bens entre os pobres, retiraram-se em comunidade para uma casa abandonada na periferia de Florença, que mais tarde seria chamada "Santa Maria de Cafaggio" — local onde hoje se ergue o Santuário da Santíssima Anunciata — e, depois, para o Monte Senário, que continua a ser o berço espiritual da Ordem.

Os fundadores, cujos nomes foram fixados no momento da canonização — e que, segundo os estudiosos da própria Ordem, só tem valor histórico nos casos de Bonfilho e Aleixo —, são: Bonfiglio dei Monaldi (Bonfilho), Giovanni di Buonagiunta (Bonagiunta), Bartolomeo degli Amidei (Amadeu), Ricovero dei Lippi-Uguccioni (Ugo), Benedetto dell'Antella (Manetto), Gherardino di Sostegno (Sostegno) e Alessio Falconieri (Aleixo). O contexto florentino era de grande conflito civil: de um lado os guelfos, partidários do papado, de outro os gibelinos, partidários do imperador; os "Sete Santos Fundadores" quiseram, por isso, dar testemunho de unidade e de paz, sendo proclamados pela liturgia "ministros da unidade e da paz".

Entre os primeiros seguidores destaca-se São Filipe Benizi, grande organizador e propagador da Ordem. Foi graças ao esforço do prior geral São Filipe e de seu sucessor frei Lotaringo que, no dia 11 de fevereiro de 1304, o papa dominicano Bento XI, com a bula "Dum levamus", aprovou a Regra e as Constituições da nova Ordem, que então contava quatro províncias na Itália (Toscana, Patrimônio de São Pedro, Romagna e Lombardia) e uma na Alemanha, com trinta e um priorados e cerca de duzentos e cinquenta frades. Em 1424, com a bula "Sedis apostolicae providentia", o papa Martinho V ratificou a organização da Terceira Ordem, hoje chamada Ordem Secular dos Servos de Maria.

A devoção característica dos servitas é a de Nossa Senhora das Dores, sob o título da Virgem Dolorosa, cujo fundamento bíblico é a profecia de Simeão: "e a ti uma espada traspassará a tua alma" (Lc 2,35). A espiritualidade servita contempla as dores de Maria ao longo da vida de Cristo — da fuga para o Egito à perda do Menino no Templo, do encontro no caminho do Calvário ao estar de pé junto à cruz (Jo 19,25). Como as demais ordens mendicantes, os servitas unem vida comunitária de oração e penitência ao apostolado ativo.

Os Sete Santos Fundadores foram canonizados juntos, como se fossem um só, pelo papa Leão XIII em 1888 — caso único na história da Igreja —, e sua festa litúrgica é celebrada em 17 de fevereiro. Monte Senário permanece como ponto de referência de todos os Servos e Servas de Maria espalhados pelo mundo, guardando as relíquias dos sete fundadores.

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