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Santos

São João Berchmans

Jovem jesuíta flamengo (1599-1621), morto em Roma aos 22 anos antes da ordenação sacerdotal; canonizado por Leão XIII em 1888 e padroeiro da juventude estudantil ao lado de Luís Gonzaga e Estanislau Kostka.

São João Berchmans
Festa
13 de agosto

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João (Jan) Berchmans nasceu em Diest, no Ducado de Brabante (atual Bélgica), em 13 de março de 1599, filho primogênito de um modesto sapateiro; sua mãe, Isabel der Hove, era filha de um burgomestre da cidade. De família pobre, trabalhou em ofícios humildes para financiar os estudos e chegou a considerar abandoná-los para ajudar a família. Em 1616 entrou no noviciado jesuíta de Malinas, abandonando a ideia de se tornar sacerdote diocesano — opção que teria sido financeiramente mais vantajosa para os seus —, e em 24 de setembro de 1618 emitiu os primeiros votos de castidade, pobreza e obediência.

Em 1619, o superior-geral Mucio Vitelleschi enviou-o a Roma para completar os estudos filosóficos no Colégio Romano, a atual Pontifícia Universidade Gregoriana. Ali, além dos estudos, professou um voto particular de defender a doutrina da Imaculada Conceição, então objeto de intenso debate. Sua espiritualidade ficou marcada não por feitos extraordinários, mas pela fidelidade exata às pequenas obrigações da vida comum — a tese que sintetizou na máxima atribuída a ele, "faça o que fazes" (age bem fazendo tudo o que fazes), e na convicção de que a obra mais perfeita é começar pelas coisas menores. Costuma-se resumir esse caminho em outra frase que lhe é atribuída: "minha penitência é a vida em comum".

Sua saúde era frágil desde o noviciado. Adoeceu em Roma e morreu em 13 de agosto de 1621, com apenas 22 anos, antes de receber a ordenação sacerdotal; as fontes divergem sobre a causa exata (doença pulmonar ou malária). A comunidade do Colégio Romano, que já o considerava santo, acompanhou de perto sua agonia. Seu corpo está sepultado na igreja romana de Santo Inácio de Loyola, na Capela da Santíssima Anunciação, e a relíquia de seu coração foi levada para a igreja jesuíta de São Miguel, em Lovaina.

A causa de beatificação começou logo depois de sua morte, mas foi interrompida em razão das vicissitudes da Companhia de Jesus — expulsa de vários Estados europeus em meados do século XVIII e suprimida por Clemente XIV em 1773. Só depois da restauração da ordem por Pio VII, em 1814, o processo foi retomado. João Berchmans foi beatificado por Pio IX em 9 de maio de 1865 e canonizado por Leão XIII em 15 de janeiro de 1888, no mesmo dia em que foram canonizados Santo Afonso Rodrigues, São Pedro Claver e os sete fundadores dos Servos de Maria. A canonização de um jesuíta sem feitos extraordinários foi lida como reconhecimento oficial da santidade intrínseca da Regra de Santo Inácio e como reabilitação plena da Companhia.

Pio X concedeu-lhe o título de compatrono da igreja da Imaculada ao Tiburtino, em Roma, edificada em 1909 com a contribuição da imprensa católica belga e consagrada pelo cardeal Mercier, arcebispo de Malinas. Sua memória litúrgica é celebrada em 13 de agosto, dia de sua morte; no calendário da forma extraordinária do rito romano, foi transferida para 26 de novembro. Com São Luís Gonzaga e Santo Estanislau Kostka, forma o trio de jovens santos jesuítas que marcou a espiritualidade da juventude católica e é invocado como padroeiro dos estudantes, dos seminaristas e dos coroinhas.

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Fontes

  • Martirológio Romano
  • Verbete 'João Berchmans', Wikipédia (pt e es); 'Giovanni Berchmans', Wikipedia (it)
  • J. de Guibert, 'La espiritualidad de la Compañía de Jesús: bosquejo histórico', Sal Terrae
  • AICA – Agencia Informativa Católica Argentina, 'San Juan Berchmans, religioso (1599-1621)'

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