Novíssimos
O Limbo
Hipótese teológica, nunca definida como dogma, sobre o destino das crianças mortas sem batismo; hoje a Igreja confia sua salvação à misericórdia de Deus.
O "limbo dos infantes" foi, ao longo de séculos, uma hipótese teológica elaborada por autores medievais para explicar o destino de crianças que morrem sem o batismo, sem terem cometido pecado pessoal, mas nascidas com o pecado original: um estado de natural felicidade, sem a visão beatífica, mas também sem sofrimento. Essa hipótese nunca foi definida como dogma de fé pela Igreja, permanecendo sempre uma opinião teológica entre outras, ainda que amplamente difundida no ensino comum entre a Idade Média e o século XX.
Em 2007, a Comissão Teológica Internacional publicou, com autorização do papa Bento XVI, o documento "A esperança da salvação para as crianças que morrem sem batismo", reconhecendo que a hipótese do limbo refletia uma visão excessivamente restritiva da salvação. O documento concluiu haver "sérias razões teológicas" para se ter esperança de que essas crianças se salvem e alcancem a visão de Deus, confiando-as à misericórdia divina, que quer que todos os homens se salvem (1Tm 2,4) e que instituiu o batismo sem, por isso, ficar limitada a ele em seus próprios meios de salvar.
O próprio documento esclarece que não se trata de um pronunciamento do Magistério solene, e que a hipótese do limbo continua sendo uma opinião teologicamente possível, embora hoje pouco proposta; o que a Igreja afirma com clareza é a confiança na misericórdia de Deus e a recomendação urgente aos pais de não retardarem o batismo dos filhos.
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