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O Céu

A comunhão de vida e amor plena e definitiva com a Santíssima Trindade, com Maria, os anjos e todos os santos — a visão beatífica, felicidade suprema e fim último do homem.

O Céu

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O Céu não é descrito pela doutrina católica como um lugar físico no sentido comum, mas como o estado supremo e definitivo de felicidade: a comunhão de vida e de amor com a Trindade, com a Virgem Maria, os anjos e todos os bem-aventurados. O Catecismo da Igreja Católica (nn. 1023-1029) define essa condição como a "visão beatífica": os que morrem na graça e na amizade de Deus e estão totalmente purificados vivem para sempre com Cristo e veem a Deus "tal como Ele é" (1 Jo 3,2), "face a face" (1 Cor 13,12). Trata-se do conhecimento intuitivo e imediato da própria essência divina, que nenhuma criatura pode servir de intermediária, e que ultrapassa toda capacidade de compreensão ou imaginação humana nesta vida.

Essa formulação foi fixada sobretudo pela constituição apostólica *Benedictus Deus*, do papa Bento XII, promulgada em 29 de janeiro de 1336. Nela o papa define, com autoridade apostólica, que as almas dos justos — as que morreram sem nada a purificar, ou que já foram purificadas após a morte — "têm visto e veem a essência divina com visão intuitiva e mesmo face a face, sem que criatura alguma intervenha como objeto de visão", e que essa visão e gozo "continuam sem interrupção e sem fim até o último Juízo e, depois, para sempre". O documento também esclarece que, uma vez iniciada essa visão imediata, cessam nas almas os atos de fé e de esperança, pois estas virtudes teologais cedem lugar à contemplação direta.

O *Benedictus Deus* foi resposta a uma controvérsia concreta. O papa João XXII (1316-1334), antes de ser eleito e depois em suas pregações — mais como teólogo particular que como mestre do magistério —, sustentara que as almas dos salvos só alcançariam a visão de Deus após o Juízo Final, posição próxima da ideia de um "sono da alma". Isso provocou forte reação de teólogos, sobretudo na Universidade de Paris, que a acusavam de herética. Em um consistório de 3 de janeiro de 1334, João XXII declarou que nunca tivera a intenção de definir a questão, e, antes de morrer, retratou-se e professou a crença de que as almas separadas dos corpos já gozam da visão beatífica no Céu. A definição de Bento XII encerrou a disputa e permanece o texto de referência sobre o estado das almas antes da ressurreição.

A doutrina católica liga o Céu à esperança da ressurreição: a bem-aventurança da alma se completará, no fim dos tempos, com a glorificação do corpo, dotado então de impassibilidade, brilho, agilidade e sutileza. Ao mesmo tempo, sublinha o caráter relacional do Céu: segundo o Catecismo (nn. 954-956), os bem-aventurados não se afastam dos que ainda peregrinam na terra, mas intercedem por eles — a chamada comunhão dos santos. E acrescenta que os que estão na glória continuam a cumprir com alegria a vontade de Deus em relação aos outros homens e a toda a criação, reinando com Cristo (cf. Ap 22,5). A liturgia, por sua vez, expressa essa esperança na oração pelos defuntos, pedindo que a alma do fiel "possa contemplar face a face o seu Redentor", como reza o Rito da Unção dos Enfermos e da encomendação dos moribundos.

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Fontes

  • 1 Coríntios 13,12
  • 1 João 3,2
  • Catecismo da Igreja Católica, nn. 1023-1029 (e nn. 954-956)
  • Bento XII, Constituição apostólica Benedictus Deus, 29 de janeiro de 1336
  • Rito da Unção dos Enfermos e do cuidado pastoral, Ordem de recomendação dos moribundos, 146-147

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