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O Juízo Final

Julgamento universal e definitivo de toda a humanidade, no fim dos tempos, coincidindo com a ressurreição dos mortos e a segunda vinda gloriosa de Cristo.

O Juízo Final

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Diferente do juízo particular de cada alma, o Juízo Final é o julgamento universal de toda a história humana, que ocorrerá na segunda vinda gloriosa de Cristo — a "Parusia" —, quando os mortos ressuscitarão em seus corpos e cada pessoa verá manifestada publicamente a verdade de sua relação com Deus. O Catecismo da Igreja Católica (nn. 1038-1041) ensina que "a ressurreição de todos os mortos, justos e pecadores" (cf. At 24,15) há de preceder o Juízo Final, na "hora em que todos os que estão nos túmulos hão de ouvir a sua voz e sairão: os que tiverem praticado o bem, para uma ressurreição de vida, e os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de condenação" (Jo 5,28-29).

A mais célebre descrição bíblica desse julgamento é a cena de Mateus 25,31-46: o Filho do Homem vem na sua glória com todos os anjos, senta-se em seu trono e separa as nações "como o pastor separa as ovelhas dos cabritos", pronunciando o critério decisivo nas obras de misericórdia — dar de comer ao faminto, vestir o nu, visitar o doente e o encarcerado —, identificando-se Ele mesmo com os pequenos: "cada vez que o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes". Santo Agostinho, citado na liturgia e na tradição exegética, comenta que então se manifestará que os pobres foram postos na terra como portadores das boas obras ao tesouro de Cristo, de modo que o que não foi dado a eles não se encontra depositado nele.

O Catecismo frisa duas notas essenciais. Primeiro, o Juízo Final terá lugar quando ocorrer a vinda gloriosa de Cristo, mas "só o Pai sabe o dia e a hora, só Ele decide sobre a sua vinda"; nele se pronunciará a palavra definitiva sobre toda a história, e os homens compreenderão o sentido último de toda a criação e de toda a economia da salvação, vendo como a justiça de Deus triunfa sobre todas as injustiças e como seu amor é mais forte do que a morte. Segundo, a mensagem do Juízo Final não é primariamente de terror, mas um apelo à conversão enquanto ainda há "o tempo favorável, o tempo da salvação" (2 Cor 6,2); ela inspira o santo temor de Deus, empenha na justiça do Reino e anuncia a "feliz esperança" (Tt 2,13) do retorno do Senhor, que virá "para ser glorificado nos seus santos" (2 Ts 1,10).

Essa verdade está inscrita na profissão de fé da Igreja, que confessa que Cristo "há de vir de novo, em glória, para julgar os vivos e os mortos, e o seu Reino não terá fim". A tradição litúrgica deu-lhe expressão no hino *Dies irae*, atribuído à tradição franciscana medieval e incorporado à Missa de Réquiem, com seu versos sobre o "dia da ira" em que o mundo se dissolverá em cinzas. Na arte, a cena foi representada inúmeras vezes — do *Juízo Final* de Fra Angelico ao afresco de Michelangelo na Capela Sistina (1536-1541), que cobre a parede do altar do Vaticano e reúne mais de trezentas figuras em torno de Cristo juiz. O Catecismo observa ainda que, no fim dos tempos, o Reino de Deus chegará à sua plenitude com a promessa de "novos céus e nova terra" (cf. Ap 21,1), quando Deus será "tudo em todos" (1 Cor 15,28).

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Fontes

  • Mateus 25,31-46
  • João 5,28-29; Atos 24,15
  • 2 Coríntios 6,2; Tito 2,13; 2 Tessalonicenses 1,10
  • Catecismo da Igreja Católica, nn. 1038-1041
  • Hino Dies irae (tradição litúrgica da Missa de Réquiem)

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