Ir para o conteúdo
Compêndio CatólicoCatálogo de consulta · fé, doutrina e vida católica
Acender uma vela

Missões

Bartolomeu de Las Casas e a evangelização pacífica da América

Frade dominicano espanhol (1484–1566), bispo de Chiapas e 'Protetor dos Índios', que defendeu que os indígenas deviam ser evangelizados pela persuasão e não pela força, tese sustentada no debate de Valladolid contra Sepúlveda.

Bartolomeu de Las Casas e a evangelização pacífica da América
Tipo
Conceito
Região
América espanhola (Hispânia, Chiapas)
Século
século XVI

Tamanho do texto

Bartolomeu de Las Casas (Sevilha, 11 de novembro de 1484 – Madri, 18 de julho de 1566) chegou ao Novo Mundo como leigo e tornou-se frade dominicano. Foi nomeado primeiro bispo residente de Chiapas, no atual México, e primeiro 'Protetor dos Índios' oficialmente designado pela Coroa espanhola. Sua conversão de colono explorador em crítico da conquista é narrada por ele mesmo em suas obras, sobretudo na Brevíssima relação da destruição das Índias (escrita em 1542, publicada em Sevilha em 1552) e na História das Índias, em que denunciou os abusos dos conquistadores contra os povos originários.

No centro de seu pensamento estava uma tese missionária: a fé cristã só pode ser anunciada pela pregação pacífica, pelo exemplo e pela persuasão, jamais pela guerra ou pela coação. Seu tratado De unico vocationis modo ("Do único modo de atrair todos os povos à verdadeira religião") sustenta que a conversão forçada é inválida e contrária ao Evangelho. Essa doutrina se articulou com a bula Sublimis Deus, promulgada pelo Papa Paulo III em 2 de junho de 1537, que declarou os indígenas americanos seres racionais, capazes de receber a fé, proibiu sua escravização e afirmou que a pregação evangélica devia ser feita de maneira pacífica.

O ponto alto e mais célebre dessa controvérsia foi a Junta de Valladolid (1550–1551), no Colégio de San Gregorio, na Espanha, convocada por Carlos V. Diante de teólogos e juristas, Las Casas enfrentou o humanista e cronista real Juan Ginés de Sepúlveda, que defendia o direito de submeter os indígenas pela força, alegando que seriam 'escravos por natureza' e que a guerra lhes traria benefícios. Las Casas contestou citando a Escritura e o direito canônico, e sua argumentação — resumida na fórmula 'todo o mundo é humano' — convenceu os teólogos de que a política espanhola era injusta. O debate, porém, não teve decisão formal conclusiva, e na prática pouco freou os colonos que continuaram a explorar os indígenas.

A memória de Las Casas permanece viva e controversa. Sua defesa da dignidade dos povos originários o tornou referência para a teologia e o pensamento missionário posteriores — o dominicano Gustavo Gutiérrez, pai da teologia da libertação, dedicou-lhe um estudo célebre —, ao passo que sua obra Brevíssima relação foi, em séculos posteriores, instrumentalizada por potências rivais da Espanha na chamada 'lenda negra'. Seja como for, sua insistência de que a evangelização deve ser inseparável do respeito à liberdade e à vida dos povos evangelizados permanece um marco fundamental na história das missões.

Temas relacionados

Cada tema abre a busca por ele em todas as categorias do acervo.

Fontes

  • Bula Sublimis Deus, Papa Paulo III, 2 de junho de 1537
  • Bartolomé de las Casas, Brevísima relación de la destrucción de las Indias (Sevilha, 1552)
  • Bartolomé de las Casas, De unico vocationis modo
  • Bartolomé de las Casas, In Defense of the Indians (trad. Stafford Poole, Northern Illinois University Press)
  • Lewis Hanke, 'La controversia entre Las Casas y Sepúlveda en Valladolid, 1550-1551'
  • Gilder Lehrman Institute of American History, 'Bartolomé de Las Casas debates the subjugation of the Indians, 1550'

Continue sua leitura

← Todas as entradas de Missões