Liturgia das Horas · Hora 7
Os Salmos na Liturgia das Horas
O saltério é o coração da Liturgia das Horas: os 150 salmos, orados em ciclo de quatro semanas, formam a espinha dorsal de cada hora do Ofício, sendo lidos pela Igreja como voz de Cristo.

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Os salmos constituem o núcleo de cada hora da Liturgia das Horas. Os 150 salmos do saltério bíblico são distribuídos num ciclo de quatro semanas, que se repete ao longo do ano, de modo que quem reza o Ofício percorre praticamente todo o Saltério dentro de um mês. A Instrução Geral sobre a Liturgia das Horas (n. 126) precisa que "os salmos estão distribuídos por um ciclo de quatro semanas" e que se omitem alguns poucos — mantendo-se, porém, aqueles que a tradição tornou mais conhecidos. O ciclo articula-se com o ano litúrgico: começa no primeiro domingo do Advento, no início do Tempo Comum, no primeiro domingo da Quaresma e no Domingo de Páscoa; nas solenidades e festas, os salmos próprios substituem os do dia.
A escolha dos salmos não é aleatória. A mesma Instrução explica que, para as Laudes e as Vésperas, foram selecionados salmos condizentes com o sentido de cada hora, e que alguns salmos cujo teor de violência soa mal na oração pública foram deixados de fora do ciclo. O Salmo 118, o mais longo do saltério, recebe um tratamento especial: por tradição sempre ligado às horas diurnas, é distribuído por vinte e dois dias — um por divisão — na Hora Média.
Esses poemas foram herdados diretamente da prática de oração de Israel, do Templo e das sinagogas, que o próprio Jesus e os apóstolos rezavam. A Igreja os utiliza, conforme a Sacrosanctum Concilium (n. 90), por possuírem a virtude de elevar a Deus o espírito dos homens e de excitar neles santos afetos. A tradição cristã lê os salmos também cristologicamente: a Carta aos Hebreus põe nos lábios de Cristo o salmo 22 ("anunciarei o teu nome a meus irmãos, no meio da assembleia te louvarei"), de modo que quem salmodia empresta sua voz ao próprio Cristo orando com e por seu Corpo, a Igreja. O salmo, observa ainda a Instrução (n. 103), não é leitura nem prosa, mas poema de louvor — em hebraico Tehillim, "cânticos de louvor", e em grego psalmói, "cânticos acompanhados ao som do saltério" —, e conserva esse caráter musical mesmo quando recitado.
A numeração dos salmos diverge entre a Bíblia hebraica e a versão grega dos Setenta adotada pela Vulgata, diferença que a Igreja herdou e que explica por que um mesmo salmo pode aparecer com dois números (por exemplo, o salmo 22 hebraico corresponde ao 21 na Vulgata). Herança também das traduções litúrgicas, essa dupla numeração permanece visível nos títulos dos salmos na Liturgia das Horas.
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Pequenos versos que emolduram cada salmo e cântico, orientando sua leitura à luz do dia, do tempo litúrgico ou do mistério de Cristo.

Santo Antônio de Pádua
Santos
Frade franciscano português do século XIII, célebre pregador e Doutor da Igreja, popularmente invocado para achar objetos perdidos.

Se Jesus condenou as "vãs repetições" (Mt 6,7), por que a Igreja reza o terço repetindo a mesma oração dezenas de vezes?
Apologética
A palavra grega que Jesus usa em Mt 6,7 (battalogeō) condena o falatório mecânico e supersticioso dos pagãos, não a repetição em si — que as Escrituras e a própria liturgia já praticavam.

É verdade que a Igreja proibiu o povo de ler a Bíblia na Idade Média?
Apologética
Foram os monges medievais quem copiaram e preservaram manuscritos bíblicos por séculos; as restrições pontuais a traduções não autorizadas (Toulouse 1229, Oxford 1408) nunca equivaleram a uma proibição geral da Escritura.
