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Apologética

Se Jesus condenou as "vãs repetições" (Mt 6,7), por que a Igreja reza o terço repetindo a mesma oração dezenas de vezes?

Jesus condena a repetição mecânica e supersticiosa dos pagãos, não a repetição em si — os salmos e a própria liturgia judaica já usavam refrões repetidos.

Se Jesus condenou as "vãs repetições" (Mt 6,7), por que a Igreja reza o terço repetindo a mesma oração dezenas de vezes?
Objeção
Rezar o terço não é a "vã repetição" que Jesus condenou?

Em Mateus 6,7, Jesus adverte: "Ao orardes, não useis de muitas palavras, como os pagãos, que pensam que, por muito falarem, serão ouvidos" — uma crítica à ideia mágica de que repetir fórmulas força uma resposta divina, comum em cultos pagãos da época, não à repetição de orações como tal. Os próprios salmos hebraicos usam refrões repetidos dezenas de vezes num mesmo texto (o Salmo 136 repete "porque eterna é a sua misericórdia" em todos os 26 versículos), e o Apocalipse (4,8) descreve os seres celestes repetindo "Santo, Santo, Santo" sem cessar.

O terço é, antes de tudo, uma meditação: cada dezena de "Ave-Marias" acompanha a contemplação de um episódio da vida de Cristo (os "mistérios"), e a repetição da mesma oração serve como um fundo rítmico que sustenta essa meditação, análogo a formas de oração contemplativa repetitiva presentes em outras tradições cristãs antigas, como a "Oração de Jesus" da espiritualidade oriental.

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Fontes

  • Mateus 6,7
  • Salmo 136
  • Catecismo da Igreja Católica, nn. 2668, 2708

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