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Compêndio CatólicoCatálogo de consulta · fé, doutrina e vida católica
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Heresias e Cismas

Quietismo

Doutrina espiritual do padre Miguel de Molinos que pregava a aniquilação total da vontade própria e o abandono passivo em Deus como via de perfeição cristã.

Tipo
Heresia
Século
XVII
Condenação
Constituição Apostólica «Coelestis Pastor», de Inocêncio XI (1687)

O padre espanhol Miguel de Molinos, autor do influente "Guia Espiritual" (Roma, 1675), propôs uma via de perfeição cristã baseada no abandono passivo total da alma em Deus, chegando a sustentar que, atingido esse estado de "quietude" interior, o cristão poderia permanecer indiferente até mesmo diante das próprias tentações e ações, sem necessidade de resistência ativa da vontade — posição que seus críticos viam como um convite à passividade moral perigosa e ao abandono da ascese cristã tradicional.

Após ser preso em Roma em 1685, Molinos abjurou publicamente suas posições em 1687, no mesmo ano em que o papa Inocêncio XI, pela constituição apostólica "Coelestis Pastor", condenou como heréticas sessenta e oito proposições extraídas de seus escritos. Molinos foi condenado à prisão perpétua, morrendo encarcerado em Roma em 1696. O episódio marcou o fim do quietismo como movimento organizado, embora ecos de sua espiritualidade tenham reaparecido, sob forma atenuada, em correntes místicas posteriores, como o quase-quietismo de Madame Guyon na França.

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