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Fides et Ratio

Encíclica de João Paulo II (1998) sobre a relação entre fé e razão, descritas como "as duas asas" pelas quais o espírito humano se eleva à contemplação da verdade.

Fides et Ratio
Tipo
Encíclica
Autor
João Paulo II
Ano
1998

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Fides et Ratio ("Fé e Razão") é a décima terceira das catorze encíclicas de João Paulo II. Foi datada de 14 de setembro de 1998, Festa da Exaltação da Santa Cruz, no vigésimo ano de seu pontificado, e dirigida aos bispos da Igreja Católica, embora o próprio texto se estenda também a filósofos, teólogos e ao mundo acadêmico. Antes de examinar o tema, a encíclica se insere explicitamente numa linhagem magisterial: retoma a herança de Aeterni Patris, a encíclica de Leão XIII de 4 de agosto de 1879 que reanimara a filosofia cristã e a escolástica de Santo Tomás de Aquino, e pretende reler essa tarefa na passagem do centenário do documento leonino.

A imagem de abertura — "a fé e a razão são como as duas asas com as quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade" — é a fórmula mais conhecida do documento e resume sua tese central: fé e razão não são rivais, mas dimensões complementares de um mesmo impulso humano à verdade. O texto desenvolve-se em uma introdução ("Conhece-te a ti mesmo") e sete capítulos, numerados até o parágrafo 108, que percorrem a revelação da Sabedoria de Deus, as fórmulas "credo ut intellegam" e "intellego ut credam", a relação entre fé e razão, as intervenções do Magistério em matéria filosófica, a interação da teologia com a filosofia e, por fim, as exigências e tarefas atuais. A conclusão, em tom mariano, invoca Maria como Sede da Sabedoria, comparando a vocação da filosofia genuína à vocação da Virgem, que ofereceu toda a sua humanidade para que o Verbo se encarnasse.

O documento combina confiança na capacidade da razão humana com um alerta firme contra o que denuncia como patologias modernas do pensamento: o ecletismo, o historicismo, o cientificismo, o pragmatismo e sobretudo o niilismo, que reduz tudo a "as areias movediças de um ceticismo geral" — sintomas, segundo o Papa, de desconfiança da verdade. João Paulo II sustenta que a filosofia tem uma vocação sapiencial e metafísica irrenunciável, e que a teologia dela precisa como instrumento próprio, sem com isso subordinar a fé à razão. Nesse ponto, a encíclica reafirma a distinção entre o saber filosófico autônomo, válido em seu campo, e o saber teológico, que parte da Revelação.

A encíclica deve muito ao trabalho da Congregação para a Doutrina da Fé, em especial à instrução Donum veritatis (1990), sobre a vocação eclesial do teólogo, citada no documento e responsável por parte de sua reflexão sobre o papel do teólogo na Igreja. Pela densidade filosófica e pela amplitude da questão que aborda, Fides et Ratio é frequentemente considerada uma das encíclicas mais ambiciosas e menos acessíveis de João Paulo II, e tornou-se referência obrigatória no debate sobre ciência, filosofia e fé.

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Fontes

  • Carta Encíclica Fides et Ratio, João Paulo II, 14 de setembro de 1998 (texto oficial, site da Santa Sé: vatican.va).
  • Fides et Ratio, verbete da Wikipédia em português (estrutura em sete capítulos; 13ª de 14 encíclicas).
  • Aeterni Patris, encíclica de Leão XIII, 4 de agosto de 1879 (referência ao centenário).
  • Congregação para a Doutrina da Fé, Instrução Donum veritatis, 24 de maio de 1990.
  • Notes on Fides et Ratio, Alfred J. Freddoso, University of Notre Dame (esquema de parágrafos e capítulos).

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