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Deus Caritas Est

Primeira encíclica de Bento XVI, sobre o amor de Deus e sua unidade com o amor humano, e sobre a caridade como exercício concreto do amor pela Igreja.

Deus Caritas Est
Foto: Fabio Pozzebom/Agência Brasil (2007) — Wikimedia Commons, CC BY 3.0 BR
Tipo
Encíclica
Autor
Bento XVI
Ano
2005

Tamanho do texto

Deus Caritas Est ("Deus é Amor") é a primeira encíclica do Papa Bento XVI, cujo subtítulo é De Christiano Amore ("Sobre o amor cristão"). Bento XVI assinou o documento em 25 de dezembro de 2005, dia de Natal, mas sua promulgação e publicação oficial ocorreram em 25 de janeiro de 2006, em latim e em traduções oficiais para outras sete línguas (inglês, francês, alemão, italiano, polonês, português e espanhol); parte da demora foi atribuída à tradução do original alemão e a discussões internas sobre a redação. O título retoma a tradução latina de 1 João 4,16: "Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele".

O texto compreende quase 16.000 palavras distribuídas em 42 parágrafos, organizados em Introdução (n. 1), duas grandes partes e Conclusão (nn. 40-42). A Primeira Parte, "A unidade do amor na criação e na história da salvação" (nn. 2-18), tem caráter mais especulativo e filosófico-teológico; a Segunda Parte, "A caridade — o exercício do amor pela Igreja como 'comunidade de amor'" (nn. 19-39), tem caráter mais prático e pastoral, tratando da atividade caritativa institucional da Igreja. Segundo relatos amplamente difundidos, a primeira metade foi escrita por Bento XVI em alemão, sua língua materna, no verão de 2005, enquanto a segunda metade teria sido elaborada a partir de escritos inacabados deixados por seu predecessor, João Paulo II.

O centro teológico do documento é a articulação entre eros e agape. Bento XVI recusa a oposição simplista entre o amor possessivo e o amor oblativo, defendendo que eros e agape são "duas metades" de um único amor, que se dá e se recebe. O papa dialoga com a filosofia grega e com críticos do cristianismo: cita a frase de Virgílio "Omnia vincit amor, et nos cedamus amori" ("O amor tudo vence; cedamos nós também ao amor") e responde à acusação de Friedrich Nietzsche de que o cristianismo teria "envenenado" o eros, convertendo-o em vício. Recorre também a Aristóteles (Metafísica), ao Pseudo-Dionísio (que chama Deus de eros e agape), a Platão (O Banquete) e a Santo Agostinho (Confissões), além de analisar o Cântico dos Cânticos e a Primeira Carta de João.

A Segunda Parte trata da caridade como dever essencial da Igreja, e não como atividade acessória, distinguindo-a da ação política e da busca da justiça, sem separá-las. Defende que a atividade caritativa eclesial deve ser expressão da fé, e não mera filantropia, e reafirma a necessidade da oração para quem se dedica a obras de caridade. Entre as particularidades, foi uma das primeiras encíclicas publicadas após o Vaticano decidir afirmar direitos autorais sobre os escritos oficiais do Papa. O documento inaugurou o que se costuma chamar de "trilogia das virtudes teologais" de Bento XVI: à caridade desta encíclica seguiram-se a esperança (Spe Salvi, 2007) e a fé (Lumen fidei, escrita substancialmente por ele e assinada por Francisco em 2013).

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Fontes

  • Texto oficial em português: Vaticano, Carta Encíclica Deus Caritas Est de Bento XVI (25 de dezembro de 2005), vatican.va.
  • Wikipédia (pt e es), "Deus Caritas Est": data de assinatura (25/12/2005), publicação (25/01/2006), estrutura em 42 parágrafos e duas partes.
  • Wikipedia (en), "Deus caritas est": origem da primeira metade (escrita por Bento XVI em alemão, verão de 2005) e da segunda (escritos inacabados de João Paulo II); menção ao copyright.
  • Aleteia e Guardian Angels Catholic Church, "Deus Caritas Est: An Overview": temas (eros, agape, philia), citações a Virgílio e Nietzsche.

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