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Devoções

Medalha Milagrosa

Medalha mariana originada das aparições de Nossa Senhora a Santa Catarina Labouré, em Paris, no ano de 1830.

Medalha Milagrosa
Foto de Xhienne, 2007, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.5)
Origem
Aparições marianas a Santa Catarina Labouré, em Paris, no ano de 1830

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A devoção à Medalha Milagrosa nasceu das aparições de Nossa Senhora a Catarina Labouré, jovem noviça francesa das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, na capela do convento da Rua do Bac (140 rue du Bac), em Paris. Catarina, nascida em 2 de maio de 1806 numa família de agricultores de Fain-lès-Moutiers, na Borgonha, relatou ter tido, na noite de 18 para 19 de julho de 1830 — véspera da festa de São Vicente de Paulo —, uma primeira aparição em que a Virgem lhe falou longamente sobre tempos difíceis que viriam para a França e para a Igreja. Pouco antes, ainda em 1830 e na mesma capela, Catarina relatara visões de São Vicente de Paulo e de Cristo presente na Hóstia.

A aparição mais decisiva ocorreu em 27 de novembro daquele mesmo ano: Catarina viu Maria de pé sobre um globo, com os pés sobre uma serpente e as mãos estendidas irradiando raios de luz que, segundo lhe foi explicado na visão, simbolizavam as graças concedidas a quem as pedisse. Ao redor da imagem formou-se uma auréola oval com a inscrição em letras douradas — "Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós" —, e, no verso, um M encimado por uma cruz, sob a qual apareciam dois corações, o de Jesus cercado de espinhos e o de Maria transpassado por uma espada, cercados por doze estrelas. Segundo o relato, a própria Virgem teria pedido: "Faça cunhar uma medalha conforme esse modelo; todas as pessoas que a levarem consigo receberão grandes graças".

Catarina relatou essas experiências ao seu confessor, o padre lazarista Jean-Marie Aladel, que inicialmente hesitou e chegou a proibi-la de pensar no assunto, mas, com o tempo convencido da autenticidade do relato, buscou junto ao arcebispo de Paris, Dom Hyacinthe-Louis de Quelen, a autorização para a cunhagem da medalha conforme o modelo descrito. As fontes divergem quanto ao número exato da primeira tiragem: a capela oficial refere cerca de duas mil medalhas distribuídas a partir de junho de 1832, enquanto levantamentos baseados nos registros do ourives responsável, Adrien Vachette, apontam cerca de 1.500 unidades ainda em 1832. O episódio coincidiu, de modo marcante para a devoção nascente, com uma violenta epidemia de cólera que assolava Paris desde fevereiro de 1832 — mais de 18 mil mortos em poucas semanas, com picos de mais de 800 óbitos num só dia —, o que ajudou a espalhar rapidamente relatos de curas e proteção atribuídos ao seu uso.

Registrada inicialmente com o nome de "Medalha da Imaculada Conceição", a peça foi logo rebatizada pelo povo de "Medalha Milagrosa", em razão do número crescente de graças relatadas pelos fiéis. Os números da difusão impressionam: segundo os dados de Vachette citados pela imprensa católica, foram cunhadas cerca de 850 mil medalhas em 1834, 15 milhões em 1836 e mais de 100 milhões em 1842, tornando-a um dos objetos de devoção mais reproduzidos da história da Igreja. Em 6 de fevereiro de 1836, um tribunal canônico da Arquidiocese de Paris reconheceu oficialmente a origem e os frutos das aparições. Um episódio célebre foi a conversão, em 1842, em Roma, do banqueiro judeu Afonso de Ratisbonne, que usava a medalha por desafio e relatou ter tido uma visão de Nossa Senhora, vindo depois a tornar-se sacerdote.

A identidade de Catarina como a religiosa que tivera as visões permaneceu em segredo por cerca de 46 anos; ela trabalhou em silêncio no cuidado de idosos e enfermos, e sua condição de vidente só foi revelada nos últimos meses antes de sua morte, em 31 de dezembro de 1876. Foi canonizada em 1947 pelo papa Pio XII. A medalha, cuja festa litúrgica de Nossa Senhora das Graças se celebra em 27 de novembro, continua sendo entendida pela Igreja como sacramental — sinal que dispõe os fiéis a receber a graça —, e não como amuleto.

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Fontes

  • Capela de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, Paris, página oficial «As aparições – A Medalha»
  • Aleteia, «Mais de 700 curas e conversões foram oficialmente atribuídas à Medalha Milagrosa no início da devoção» (2023), com dados do ourives Adrien Vachette
  • Wikipédia em português, «Medalha Milagrosa» e «Catarina Labouré»
  • Segredos de Paris, «A história completa da Medalha Milagrosa de Paris»

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