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Devoções

Escapulário Vermelho da Paixão

Sacramental de devoção à Paixão de Cristo, originado de aparições relatadas por uma religiosa francesa em 1846.

Origem
Aparições relatadas pela irmã Apolline Andriveau, na França, em 1846

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O Escapulário Vermelho da Paixão tem origem em aparições relatadas pela irmã Louise-Apolline Andriveau (1810-1895), religiosa das Filhas da Caridade nascida numa família camponesa de Pourçain, no centro da França. Destacada para a casa de Montolieu, em Troyes, onde se dedicava ao cuidado de doentes e idosos e era conhecida por sua intensa piedade na meditação da Paixão, Apolline relatou uma série de aparições de Jesus e de Maria entre 26 de julho e 14 de setembro de 1846, no convento de Troyes.

A primeira e mais decisiva dessas experiências ocorreu em 26 de julho de 1846, na oitava da festa de São Vicente de Paulo: Jesus lhe teria aparecido segurando na mão direita um escapulário de cor escarlate suspenso por dois cordões de lã da mesma cor, representado crucificado e, ao pé da cruz, cercado dos instrumentos mais dolorosos de sua Paixão — o chicote, o martelo, a túnica que cobria seu corpo ferido —, pedindo que o escapulário fosse difundido entre os fiéis como sinal de devoção à sua Paixão.

O escapulário resultante é composto por dois pedaços de tecido de lã vermelha unidos por fitas da mesma cor: de um lado, a imagem de Jesus crucificado com os instrumentos da Paixão e a inscrição «Paixão Sagrada de Nosso Senhor Jesus Cristo, salvai-nos»; do outro, uma pequena cruz com os Sagrados Corações de Jesus e de Maria unidos. Segundo o relato das aparições, Cristo prometeu um aumento especial de fé, esperança e caridade, e uma proteção particular nos perigos, principalmente às sextas-feiras, a quem o usasse com verdadeira devoção à sua Paixão e a propagasse entre os outros.

A aprovação eclesiástica seguiu um caminho relativamente ágil para os padrões da época. Já na primavera de 1847, o padre Jean-Baptiste Étienne, então superior geral da Congregação da Missão (os padres lazaristas, ligados historicamente às Filhas da Caridade pela obra comum de São Vicente de Paulo), foi recebido em audiência pelo papa Pio IX para tratar do assunto, sem que o pontífice apresentasse qualquer dificuldade quanto à devoção. A aprovação formal por escrito, porém, só viria uma década depois: em 25 de junho de 1857, Pio IX santificou e aprovou oficialmente o uso do sacramental, concedendo aos padres lazaristas a faculdade específica de abençoar e impor o escapulário aos fiéis. O mesmo papa estendeu as indulgências ligadas à devoção a todos os fiéis em 1861, e novas indulgências foram aprovadas pela Santa Sé em 1877, ampliando ainda mais o alcance espiritual da prática.

Ao lado da Medalha Milagrosa e do escapulário verde da Imaculada Conceição — este último também originado de revelações a uma religiosa das Filhas da Caridade —, o Escapulário Vermelho compõe um pequeno grupo de sacramentais marianos e cristológicos ligados historicamente a essa mesma congregação fundada por São Vicente de Paulo e Santa Luísa de Marillac, todos aprovados pela Santa Sé ao longo do século XIX como formas legítimas, ainda que facultativas, de piedade popular centrada na Paixão de Cristo e na intercessão mariana. É contado, ao lado de outros escapulários de cores e devoções diferentes — o marrom do Carmo, já presente neste acervo, entre eles —, no conjunto que a piedade popular chama informalmente de «os cinco escapulários».

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Fontes

  • Vocação Vicentina, «Medalha Milagrosa, Escapulário Verde e Escapulário Vermelho: História e Significado»
  • Zahn Info Portal, «Escapulário Vermelho da Paixão»
  • Ateliê Piedoso, «Escapulário Vermelho da Paixão de Cristo»

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