Devoções
Bênção do Santíssimo Sacramento
Rito de adoração eucarística em que o bispo, o padre ou o diácono abençoa os fiéis com a hóstia consagrada exposta no ostensório, usando o véu umeral.
- Origem
- Desenvolvida a partir da instituição da festa de Corpus Christi (século XIII)
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A Bênção do Santíssimo Sacramento é um rito devocional, distinto da Missa, em que a hóstia consagrada é exposta no ostensório para adoração — geralmente ao fim de um período de adoração eucarística — e o ministro (bispo, padre ou diácono, nunca um leigo) traça com ela o sinal da cruz sobre a assembleia, abençoando-a com a própria presença real de Cristo, e não com sua própria autoridade pessoal. Trata-se, portanto, de uma bênção que procede de Cristo-Eucaristia, sendo o ministro apenas instrumento.
O desenvolvimento histórico desse rito está ligado à instituição da festa de Corpus Christi pelo papa Urbano IV, em 1264, motivada em boa parte pelas visões da religiosa agostiniana Juliana de Cornillon, na Bélgica, que pediam uma festa específica em honra do Corpo de Cristo. Para essa mesma festa, São Tomás de Aquino compôs, a pedido do próprio Urbano IV, o ofício litúrgico completo, incluindo o hino «Pange Lingua Gloriosi», cujas duas últimas estrofes — que começam com as palavras «Tantum Ergo Sacramentum» — se consolidaram, com o tempo, como o cântico próprio do momento da bênção eucarística, entoado até hoje em latim ou em traduções vernáculas em praticamente todo o mundo católico. A prática de expor solenemente o Santíssimo num receptáculo transparente — o ostensório, cuja forma característica com uma «lua» central de vidro ou cristal se desenvolveu ao longo dos séculos XIV e XV — cresceu justamente a partir da devoção gerada por Corpus Christi e das procissões eucarísticas que a festa consolidou.
Durante séculos o rito da bênção com o Santíssimo não teve uma codificação litúrgica oficial e uniforme: sua forma foi se fixando por meio de diretrizes práticas, entre as quais tiveram grande influência as normas elaboradas no século XVIII pelo cardeal-vigário de Roma Prospero Lambertini — que seria eleito papa pouco depois, com o nome de Bento XIV —, amplamente seguidas até o século XX. Uma codificação oficial e universal só viria com a publicação do «Rito de Exposição e Bênção Eucarística», promulgado pela Santa Sé em 1973, que unificou a prática em toda a Igreja latina.
Um elemento característico do rito é o véu umeral — do latim «humerus», ombro —, longo pano retangular que o ministro coloca sobre os próprios ombros e usa para cobrir as mãos ao segurar o ostensório na hora de abençoar. O gesto expressa visualmente que a bênção não procede da pessoa do ministro, mas de Cristo presente no Sacramento, do qual ele é apenas instrumento; em exposições solenes, o véu é usado por cima do pluvial, e o acólito o coloca sobre o ministro antes da bênção. A celebração completa costuma seguir uma estrutura fixa: exposição do Santíssimo, um período de adoração silenciosa ou cantada, a incensação do Sacramento, o cântico do «Tantum Ergo», um versículo com sua respectiva oração (no Brasil, costuma-se rezar o «Bendito seja Deus»), e, por fim, a bênção silenciosa com o ostensório, encerrada com a reposição da hóstia no sacrário.
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