Devoções
Ladainha de Nossa Senhora (Ladainha Lauretana)
Sequência de invocações e títulos marianos rezados em forma de litania, tradicionalmente associada ao santuário de Loreto e única ladainha mariana aprovada para uso público universal.

- Origem
- Atestada em Loreto desde o século XVI; aprovada oficialmente por Sisto V em 1587
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A Ladainha Lauretana é uma sequência de invocações a Nossa Senhora, cada uma seguida da resposta "rogai por nós", que percorre dezenas de títulos marianos — bíblicos, dogmáticos e simbólicos, como "Virgem prudentíssima", "Estrela da manhã", "Torre de marfim" e "Rainha dos Anjos" —, precedida de uma invocação à Santíssima Trindade e encerrada com as invocações a Cristo como "Cordeiro de Deus". As invocações distribuem-se por grupos: as que honram a maternidade divina, as referentes à virgindade de Maria, as figuras simbólicas, as que invocam sua misericórdia e as que a aclamam Rainha. É costume encerrar com ela a recitação do terço em muitas comunidades, e sua estrutura atual reúne cerca de cinquenta invocações marianas.
Recebeu esse nome por sua associação histórica ao Santuário da Santa Casa de Loreto, na região italiana das Marcas. Segundo os registros mais antigos conhecidos, a ladainha teria sido cantada solenemente em 10 de dezembro de 1531, data associada ao lançamento da primeira pedra do revestimento de mármore da Casa Santa; há ainda o testemunho de um legado de 1547, do cônego de Loreto João de Albona, em favor dos agostinianos de Recanati, para que se celebrasse missa com o canto da ladainha mariana, e a notícia de peregrinos que, por volta de 1565, chegavam ao santuário já cantando-a. Historiadores consideram provável que a ladainha, em versões próximas, circulasse havia mais tempo entre as muitas litanias marianas então existentes na Europa.
No século XVI circulavam dezenas de ladainhas diferentes dedicadas a Maria, com títulos e estruturas variáveis conforme a região e a devoção local. Para pôr ordem nessa diversidade, o papa Sisto V emitiu, em 11 de julho de 1587, a bula "Redditam", que concedeu aprovação formal e universal à versão de Loreto para uso público na Igreja e, ao mesmo tempo, suprimiu e proibiu o uso público das demais ladainhas marianas então existentes, deixando-as permitidas apenas na devoção privada. A medida visava garantir uniformidade litúrgica e pureza doutrinal, fazendo da Lauretana a única ladainha mariana oficialmente sancionada para uso universal.
Desde então, a Santa Sé mantém a prerrogativa de acrescentar novos títulos à ladainha, o que ocorreu poucas vezes ao longo dos séculos. Entre os acréscimos documentados estão "Rainha concebida sem pecado original" (1854, sob Pio IX, no contexto da definição do dogma da Imaculada Conceição), "Mãe do Bom Conselho" (por decreto de Leão XIII de 22 de abril de 1903), "Rainha da Paz" (1917), "Rainha assunta ao céu" (1950) e "Mãe da Igreja" — proclamada por Paulo VI em 21 de novembro de 1964, ao encerrar a terceira sessão do Concílio Vaticano II, e formalmente incorporada ao texto da ladainha em 1980, já sob João Paulo II, que em 1995 acrescentaria ainda "Rainha da Família".
Mais recentemente, em 20 de junho de 2020 — memória do Imaculado Coração de Maria —, o papa Francisco determinou a inclusão de mais três invocações: "Mater misericordiae" (Mãe da Misericórdia), inserida após "Mãe da Igreja"; "Mater spei" (Mãe da Esperança), após "Mãe da divina graça"; e "Solacium migrantium" (Conforto ou Amparo dos Migrantes), após "Refúgio dos pecadores". A decisão foi comunicada por carta do prefeito da Congregação para o Culto Divino, cardeal Robert Sarah, e do secretário-geral do dicastério, Dom Arthur Roche, aos presidentes das conferências episcopais. Com esses acréscimos, o número de títulos marianos da ladainha passou de 51 para 54.
Por sua antiguidade, sua aprovação universal e sua estrutura relativamente estável ao longo dos séculos, a Ladainha Lauretana continua sendo hoje a litania mariana oficial e mais difundida da Igreja Católica, usada tanto em celebrações públicas quanto na devoção privada, sobretudo como conclusão tradicional do Rosário.
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