Ciência e Fé
Humani Generis
Encíclica de Pio XII promulgada em 12 de agosto de 1950, que abriu caminho para a compatibilidade entre a doutrina católica e a evolução biológica, ao mesmo tempo que rejeitou o poligenismo.

- Tipo
- Documento
- Área
- Evolução e origem do homem
- Século
- século XX
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A Humani generis é uma carta encíclica do Papa Pio XII promulgada em 12 de agosto de 1950, sobre 'algumas opiniões falsas que ameaçam minar os fundamentos da doutrina católica'. Assinada 'junto de São Pedro, no XII ano de seu pontificado', ela respondeu sobretudo às teses da chamada 'nova teologia' e teve, com o tempo, um papel decisivo na questão da evolução.
No que se refere à ciência, o documento estabelece uma distinção fundamental: o magistério da Igreja não proíbe que, no estado atual das ciências humanas, a doutrina da evolução seja objeto de pesquisa e discussão pelos especialistas. A encíclica, contudo, pede cautela: tal ensinamento seria louvável no caso de fatos claramente provados, mas deve haver prudência quando se trata de hipóteses com algum fundamento científico que envolvam a doutrina contida na Sagrada Escritura ou na Tradição.
A Humani generis não endossa uma aceitação integral nem uma rejeição total da evolução, considerando as evidências da época não convincentes. Ela afirma, porém, que a fé católica exige que se mantenha a criação imediata da alma por Deus, distinguindo a origem do corpo da origem da alma.
O ponto mais controvertido do documento é a rejeição explícita do poligenismo — a hipótese de que a humanidade descenda de vários pares originais e não de um único casal. A encíclica vê nessa tese um conflito com a doutrina do pecado original. Historicamente, a Humani generis iniciou um processo de gradual aproximação entre o catolicismo e a evolução biológica, revisado mais tarde por João Paulo II, que meio século depois destacou novos elementos em favor da teoria evolutiva.
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