Catedrais e Basílicas
Catedral de Sevilha
Maior catedral gótica do mundo, erguida sobre o local de uma antiga mesquita almóada, guarda o túmulo de Cristóvão Colombo e a torre da Giralda.

- Tipo
- Catedral
- Cidade
- Sevilha
- País
- Espanha
- Conclusão
- 1506 (obra iniciada em 1401/1433)
- Estilo
- gótico
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Sede da Arquidiocese de Sevilha — historicamente conhecida como Magna Hispalensis —, a catedral ocupa o terreno da grande mesquita aljama da cidade, erguida entre 1172 e 1198 sob os califas almóadas Abu Yaqub Yusuf e Yaqub al-Mansur, quando Sevilha era capital do império almóada na Península Ibérica. Após a reconquista cristã de 1248, por Fernando III, a mesquita foi convertida em igreja catedral e assim permaneceu por mais de um século, até que, já em mau estado, o cabido catedralício decidiu, no início do século XV, demoli-la para erguer um templo à altura da cidade. Reunido no Corral de los Olmos, o cabido teria declarado em 1401 a intenção de construir "uma igreja tão grande e de tal qualidade que os que a virem acabada nos tenham por loucos" — frase que resume a ambição do projeto. Segundo a tradição, a obra começou em 1401, mas não há constância documental do início dos trabalhos até 1433. Entre os primeiros mestres de obras está o normando maestre Carlín (Charles Galter), que teria chegado a Sevilha fugindo da Guerra dos Cem Anos, após trabalhar em outras grandes catedrais góticas europeias.
O avanço da construção foi pontuado por episódios estruturais graves. Em 10 de outubro de 1506 colocou-se a "pedra postrera" no ponto mais alto do cimborrio, dando simbolicamente a obra por terminada, e no ano seguinte, 1507, o templo foi consagrado — embora restassem trabalhos a concluir. Em 28 de dezembro de 1511, porém, um dos enormes pilares ruiu, provocando o desabamento do cimborrio que cobria o cruzeiro, aparentemente por peso excessivo da estrutura. O mestre Alonso Rodríguez foi destituído, e o arquiteto Juan Gil de Hontañón projetou nova cúpula, seguindo o estilo gótico inicial, concluída em 1519 — o que explica a divergência entre fontes que datam o término da catedral em 1506 e outras em 1519. Esse mesmo cimborrio voltou a desabar 370 anos depois, em 1º de agosto de 1888, sendo reconstruído na mesma forma pelo arquiteto Joaquín Fernández. Com cerca de 126 metros de comprimento e mais de 11.500 m² de área, a Catedral de Sevilha é considerada a maior catedral gótica do mundo e o terceiro maior templo cristão em área, atrás de São Pedro no Vaticano e da Basílica de Nossa Senhora da Paz de Iamussucro.
Do templo muçulmano, a catedral preservou dois elementos hoje centrais à sua identidade: o Pátio das Laranjeiras (Patio de los Naranjos), antigo pátio de abluções, cuja porta de acesso foi cristianizada como Puerta del Perdón, e o minarete, transformado em campanário sob o nome de Giralda. Erguido a partir de 1184 pelo arquiteto Ahmad ibn Baso — conhecido nas fontes cristãs como "Gever" —, o minarete tinha originalmente cerca de 82 metros, rematado por quatro esferas douradas, e em vez de escadas possuía um sistema de rampas internas largas o bastante para que o muezim subisse montado. Entre 1560 e 1568, já sob domínio cristão, o arquiteto Hernán Ruiz II acrescentou ao antigo minarete um corpo renascentista de sinos, encimado pela estátua de bronze conhecida como "El Giraldillo": fundida por Bartolomé Morel em 1568, com 3,47 metros de altura e cerca de 1,2 tonelada só no corpo, ela representa a Fé vitoriosa e, ao girar com o vento como cata-vento, deu à torre o nome pelo qual é conhecida até hoje.
O interior gótico abriga o Retábulo Maior da Capela-Mor, maior retábulo cristão do mundo: iniciado em 1482 pelo escultor flamengo Pieter Dancart e concluído por volta de 1564 por gerações sucessivas de artistas, mede cerca de 20 metros de altura e reúne mais de mil figuras esculpidas em madeira policromada e dourada, distribuídas em 44 cenas da vida de Cristo e da Virgem. O coro central, esculpido no século XV pelo mestre entalhador Nufro Sánchez, tem 117 cadeiras talhadas com cenas bíblicas e alegóricas, entre elas a cadeira do rei, decorada em 1478 com os brasões de Castela e Leão; o órgão, um dos mais potentes da Espanha, ultrapassa 7.000 tubos. Na nave central, um monumento funerário neogótico do escultor Arturo Mélida, erguido no final do século XIX, sustenta sobre os ombros de quatro figuras alegóricas dos reinos de Castela, Leão, Aragão e Navarra um caixão com restos atribuídos a Cristóvão Colombo. A catedral guarda ainda a Capilla Real, panteão dos reis Fernando III — o conquistador de Sevilha, canonizado em 1671 — e Afonso X, o Sábio, além de coleções de pintura sacra espanhola com obras de Murillo e Zurbarán.
A atribuição dos restos de Colombo foi reforçada por um estudo genético conduzido pela Universidade de Granada. Em 2003, o especialista em Medicina Legal e Forense José Antonio Lorente e o historiador Marcial Castro obtiveram autorização para abrir o túmulo sevilhano, encontrando pequenos fragmentos ósseos misturados a terra, comparados depois ao DNA do filho do navegador, Hernando, também enterrado na catedral, e ao do irmão Diego, cujos ossos estavam na Cartuja. Os resultados preliminares de 2005-2006, então inconclusivos e interrompidos pela necessidade de destruir amostras de osso, só foram retomados em 2020 e divulgados em 12 de outubro de 2024 no documentário "Colón ADN: Su verdadero origen", da RTVE, no qual Lorente afirmou ter agora "fiabilidade praticamente absoluta" de que os restos de Sevilha são de Colombo, dado replicado por diferentes laboratórios. O mesmo estudo sugeriu também uma origem do navegador na Europa Ocidental — possivelmente Valência — e traços compatíveis com ascendência judaica sefardita, tese que reacendeu o debate sobre o berço genovês tradicionalmente aceito. Especialistas, porém, ressalvaram que as conclusões foram apresentadas em documentário televisivo e não em artigo científico submetido a revisão por pares, que Lorente prometeu publicar — razão pela qual o achado permanece objeto de controvérsia entre historiadores colombinistas. A catedral foi declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1987, num conjunto tombado que reúne o templo, o Alcázar Real e o Arquivo Geral das Índias, e hoje recebe rotineiramente mais de 150 mil visitantes por mês, fluxo que financia parte substancial da manutenção de sua estrutura monumental.
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