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Catedrais e Basílicas

Catedral de Colônia

Maior catedral gótica da Alemanha, erguida ao longo de mais de 600 anos para abrigar as relíquias dos Reis Magos.

Tipo
Catedral
Cidade
Colônia
País
Alemanha
Conclusão
1880 (obra iniciada em 1248)
Estilo
gótico

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A história da Catedral de Colônia começa, na prática, em 1164, quando o arcebispo Rainald von Dassel — arquichanceler e homem de confiança do imperador Frederico Barba-Ruiva — trouxe para a cidade os supostos ossos dos Três Reis Magos, retirados da Basílica de Sant'Eustorgio em Milão como despojo de guerra após o saque imperial à cidade lombarda. Da noite para o dia, a modesta catedral carolíngia de Colônia, incapaz de comportar a multidão de peregrinos que a posse das relíquias atraía, tornou-se pequena demais para sua nova condição de um dos maiores santuários de peregrinação da cristandade europeia. Entre 1190 e 1225, o ourives Nicolau de Verdun e sua oficina executaram para as relíquias o Santuário dos Reis Magos, uma arca em forma de basílica revestida de ouro e prata e cravejada de mais de mil pedras preciosas e camafeus antigos, ainda hoje considerada a maior peça de ourivesaria sacra medieval da arte ocidental.

Foi para abrigar dignamente esse relicário que o arcebispo Konrad von Hochstaden lançou, em 15 de agosto de 1248, a pedra fundamental da nova catedral gótica, inspirada nas grandes catedrais francesas de Amiens e Beauvais. O coro, primeira parte concluída do edifício, foi consagrado em 1322 e recebeu o santuário dos Magos em seu interior. As obras, porém, prosseguiram lentamente ao longo dos séculos seguintes e foram de fato interrompidas em 1560: o estilo gótico havia caído em desuso diante do gosto renascentista, e a Reforma protestante e depois a Guerra dos Trinta Anos drenaram recursos e interesse pela conclusão do templo. Por quase três séculos a catedral permaneceu com apenas metade de sua torre sul erguida, encimada por um guindaste de madeira medieval que, imóvel havia gerações, tornou-se paradoxalmente um símbolo pitoresco da paisagem urbana de Colônia — aparecendo em gravuras e relatos de viajantes como uma curiosidade da cidade.

O impulso decisivo para retomar as obras veio do movimento romântico alemão do século XIX, que redescobriu a Idade Média gótica como expressão de uma identidade nacional alemã ainda por unificar. Estudiosos como Sulpiz Boisserée localizaram e publicaram, na década de 1810, os planos medievais originais da fachada, até então dados como perdidos, o que tornou tecnicamente possível concluir o edifício exatamente como fora concebido no século XIII. Em 1842, o rei Frederico Guilherme IV da Prússia lançou pessoalmente a pedra fundamental da retomada das obras, tratando o projeto como causa de prestígio nacional e unindo financiamento estatal prussiano a associações civis de apoio à catedral (os Dombauvereine, ainda hoje responsáveis por parte da manutenção do edifício). Sob a direção dos arquitetos Ernst Friedrich Zwirner e depois Richard Voigtel, os trabalhos avançaram seguindo à risca os desenhos medievais recuperados, e em 15 de outubro de 1880 foi finalmente colocada a cruz de arremate da torre sul, completando, mais de 600 anos após o início das obras, o maior templo gótico da Alemanha e, por um breve período, o edifício mais alto do mundo, com suas torres de 157 metros.

A catedral atravessou a Segunda Guerra Mundial sob bombardeios aliados que a atingiram catorze vezes, chegando a sofrer o impacto direto de bombas incendiárias e de artilharia pesada; ainda assim, sua estrutura gótica de contrafortes e arcobotantes resistiu, e o edifício permaneceu de pé em meio à destruição quase total do centro histórico de Colônia ao seu redor — um fato que alimentou, na cidade, a percepção da catedral como símbolo de resiliência. Reparos estruturais se estenderam por décadas após a guerra. Declarada Patrimônio Mundial da UNESCO em 1996 — distinção que chegou a ser colocada em risco em 2004, quando a organização incluiu o entorno da catedral na lista de patrimônios em perigo devido a projetos de arranha-céus próximos, revertidos após negociação com as autoridades da cidade —, o Kölner Dom é hoje o monumento mais visitado da Alemanha, recebendo cerca de seis milhões de pessoas por ano. Atrás do altar-mor, o Santuário dos Reis Magos continua a receber peregrinos, mantendo viva, mais de 850 anos depois, a devoção que deu origem a uma das maiores catedrais do mundo.

Com suas duas torres gêmeas de 157 metros, um corpo de 144 metros de comprimento por 86 de largura e área interna de quase 7.000 m², a Catedral de Colônia chegou a ser, no momento de sua conclusão em 1880, o edifício mais alto do mundo, título que perdeu poucos anos depois para outras construções mas que ilustra a escala da empreitada gótica retomada no século XIX. A fachada principal, ornamentada por 108 gárgulas que cumprem também a função prática de calhas de escoamento de água da chuva, é hoje considerada uma das maiores fachadas eclesiásticas do planeta. O templo abriga onze altares e recebe diariamente cerca de vinte mil visitantes, o que o torna, de forma consistente, o monumento mais visitado da Alemanha — à frente inclusive de pontos turísticos seculares como o Portão de Brandemburgo. A longa história de interrupções e retomadas da obra alimentou, entre os habitantes de Colônia, um dito popular segundo o qual, quando a catedral for finalmente declarada “completamente terminada”, será sinal do fim do mundo — lenda que reflete o quanto a ideia de uma obra em eterno acabamento se tornou parte da identidade da cidade.

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Fontes

  • https://pt.wikipedia.org/wiki/Catedral_de_Col%C3%B4nia
  • https://www.cologne-tourism.com/arts-culture/sights/cologne-cathedral/construction-history
  • https://ucatholic.com/blog/where-do-the-biblical-magi-rest-how-the-shrine-of-the-three-kings-made-it-to-cologne-cathedral/

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