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Cardeais

Aloysius Stepinac

Cardeal croata, arcebispo de Zagreb, condenado em julgamento político do regime comunista de Tito e beatificado como mártir por João Paulo II em 1998.

Aloysius Stepinac
Ordem cardinalícia
Cardeal-presbítero
País
Croácia (Iugoslávia)
Criação
1953
Papa criador
Pio XII

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Aloysius (Alojzije) Viktor Stepinac nasceu em 8 de maio de 1898 em Brezarić, perto de Krašić, numa família camponesa da Croácia então integrada ao Império Austro-Húngaro. Convocado para o exército austro-húngaro em 1916, serviu na Primeira Guerra Mundial, foi ferido e passou cinco meses como prisioneiro dos italianos; ao final do conflito, voltou para casa com a patente de tenente-coronel e chegou a integrar voluntariamente as fileiras que lutariam pela formação do futuro Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos. Decidiu-se pelo sacerdócio somente em 1924, já com 26 anos, estudando teologia na Universidade Gregoriana em Roma e sendo ordenado em 26 de outubro de 1930. Nos anos seguintes fundou, por sua iniciativa, o Caritas da Arquidiocese de Zagreb, que passou a dirigir.

Tornou-se arcebispo coadjutor de Zagreb em 1934 e assumiu a arquidiocese plenamente em 1937, uma das mais importantes da Croácia, tornando-se aos 36 anos o bispo mais jovem da Europa em seu tempo. Viveu, à frente dela, tanto a ocupação nazifascista da região durante a Segunda Guerra Mundial quanto, ao final do conflito, a instauração do regime comunista de Josip Broz Tito. Em 1941, com a criação do Estado Independente da Croácia sob o regime ustashe, aliado do Eixo, Stepinac inicialmente saudou a autonomia croata recém-conquistada e manteve contatos formais com o novo governo — postura que, décadas depois, alimentaria controvérsia sobre seu papel nos primeiros meses do regime. Já a partir de 1942, porém, denunciou publicamente, em sermões e cartas pastorais, as perseguições e assassinatos em massa cometidos pelo regime ustashe contra sérvios, judeus e ciganos, e sua diocese chegou a abrigar perseguidos e a promover batismos que, segundo testemunhos posteriores, visavam protegê-los — tema sobre o qual a avaliação histórica e o próprio registro de Yad Vashem permaneceram objeto de debate e contestação de parte a parte.

Em fevereiro de 1943 chamou publicamente o campo de concentração de Jasenovac, administrado pelo próprio regime ustashe, de «mancha vergonhosa» e «a maior tragédia da Croácia»; em março do mesmo ano, depois de o regime ordenar a imposição das leis raciais de Nuremberg aos judeus do Estado croata, denunciou em sermão as políticas raciais, e em outubro voltou a afirmar, perante milhares de fiéis, que «a Igreja Católica não pode aceitar que raças ou nações, por serem grandes ou fortes, façam violência contra raças ou nações mais fracas» — fossem elas croatas, sérvias, judias, ciganas ou de qualquer credo —, fazendo ler a condenação dos púlpitos de toda a Croácia. As autoridades ustashes reagiram com furor: prenderam padres que haviam lido trechos do sermão em suas paróquias, proibiram sua publicação na imprensa e mantiveram o próprio arcebispo sob vigilância domiciliar por alguns dias. Historiadores continuam divididos sobre o alcance real dessas denúncias: para uns, representaram o limite do que era publicamente possível dizer sob um regime totalitário aliado do Eixo; para outros, mesmo somadas, não configuraram uma condenação sistemática e inequívoca do regime enquanto este ainda estava no poder.

Com o fim da guerra e a chegada ao poder de Tito, Stepinac recusou-se a aceitar o projeto do novo regime de criar uma Igreja Católica croata nacional, submetida ao controle do Estado e desligada da autoridade de Roma — recusa que o tornou alvo prioritário da perseguição comunista à Igreja na Iugoslávia. Preso em 18 de setembro de 1946, foi julgado a partir de 30 de setembro daquele ano num processo amplamente considerado político e manipulado, ao lado de outros dezenove réus — entre eles antigos funcionários do governo ustashe, como Erih Lisak, condenado à morte. As acusações iam de colaboração com a ocupação e trato com o regime ustashe até alta traição contra o Estado iugoslavo. Em 11 de outubro de 1946 foi condenado a dezesseis anos de trabalhos forçados; em sua defesa final declarou que «a consciência está limpa, e o futuro mostrará que eu estava certo». O veredicto dividiu profundamente a opinião pública dentro e fora da Iugoslávia — Winston Churchill chamou-o de ultraje à justiça —, e décadas depois, em 1985, o próprio promotor do processo, Jakov Blažević, reconheceria publicamente que o julgamento fora montado com objetivo político, e não jurídico.

Cumpriu parte da pena na penitenciária de Lepoglava — onde, na primavera de 1953, começou a sofrer de policitemia vermelha, trombose venosa e catarros brônquicos — antes de ser transferido, em 5 de dezembro de 1951, após 1.864 dias de prisão, para confinamento domiciliar em sua aldeia natal, Krašić, onde permaneceria sob vigilância policial constante pelo resto da vida, proibido de exercer publicamente o ministério episcopal fora dali. Pio XII o nomeou cardeal em janeiro de 1953, em ato de desafio simbólico ao regime de Tito, sem que Stepinac pudesse viajar a Roma para recebê-lo, temendo não ter permissão de retornar à Croácia caso deixasse o país; como represália, o governo iugoslavo rompeu relações diplomáticas com a Santa Sé. Em 1956, Pio XII escreveu a Stepinac e a outros três prelados presos — os cardeais Stefan Wyszyński e József Mindszenty e o arcebispo Josef Beran — exortando seus fiéis à fidelidade. Impedido pelo confinamento, Stepinac não pôde participar do conclave de 1958 que elegeu João XXIII, apesar dos apelos da Conferência Episcopal da Iugoslávia por sua libertação. Em carta de 2 de junho de 1959 ao escultor Ivan Meštrović, escreveu: «Provavelmente não viverei para ver o colapso do comunismo no mundo, devido à minha saúde precária. Mas estou absolutamente certo de que ele cairá».

Morreu em Krašić em 10 de fevereiro de 1960, aos 61 anos, em decorrência da policitemia agravada pelas condições de detenção, e foi sepultado na catedral de Zagreb, onde seu túmulo se tornou local de peregrinação. Sua causa de beatificação foi aberta em 9 de outubro de 1981; em novembro de 1997 a Igreja o declarou mártir, o que permitiu dispensar o requisito habitual de um milagre comprovado. Em 3 de outubro de 1998, durante viagem à Croácia e no centenário de seu nascimento, o papa João Paulo II beatificou-o no santuário nacional de Marija Bistrica, diante de cerca de 500 mil fiéis, apresentando-o como mártir da fé sob o comunismo. A beatificação, dada a controvérsia persistente sobre sua conduta durante a guerra, gerou reações críticas de setores sérvios e judaicos, mantendo-se até hoje como uma das causas de santos mais debatidas da Igreja no século XX.

Fontes

(5)
  • Vatican.va, homilia de João Paulo II na beatificação de Alojzije Stepinac (Marija Bistrica, 3 de outubro de 1998)
  • Arquidiocese de Zagreb, «Blessed Aloysius (Alojzije) Stepinac»
  • Wikipedia (en), «Aloysius Stepinac»
  • Encyclopedia.com / Encyclopaedia Britannica, «Alojzije Stepinac»
  • Esther Gitman, «Dr. Alojzije Stepinac and the Jews», Review of Croatian History (2006)

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