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Apologética

Um católico pode acreditar em reencarnação?

O Catecismo afirma explicitamente que "não existe reencarnação depois da morte"; cada pessoa vive uma só vida terrena, seguida do juízo — doutrina já defendida contra a preexistência das almas desde o século VI.

Um católico pode acreditar em reencarnação?
Objeção
Se a alma é imortal, por que a Igreja rejeita a possibilidade de ela renascer em outro corpo?

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A ideia de reencarnação — a alma migrando, após a morte, para um novo corpo numa sequência de vidas sucessivas — é comum a diversas tradições religiosas e filosofias orientais e tem hoje presença considerável na cultura ocidental, inclusive entre pessoas que se dizem cristãs. A Igreja Católica rejeita explicitamente essa possibilidade. O Catecismo afirma, no n. 1013: "Quando acabar 'a nossa vida sobre a terra, que é só uma', não voltaremos a outras vidas terrenas. 'Os homens morrem uma só vez' (Hb 9, 27). Não existe 'reencarnação' depois da morte". O fundamento bíblico é a Carta aos Hebreus, que enuncia a unicidade e irrepetibilidade da vida terrena de cada pessoa, seguida do juízo — e que apresenta Cristo, por contraste, como quem se ofereceu "uma vez por todas" (Hb 9,26-28; 10,10).

Essa rejeição tem raízes nos primeiros séculos. Orígenes de Alexandria (c. 185-253/254), em obras como De Principiis (Peri Archon) e Contra Celsum, sustentava a preexistência das almas e sua queda em corpos — tese que servia de base especulativa à ideia de vidas anteriores —, além da apocatástase, a restauração final de todas as criaturas, inclusive os demônios. Em 543, o imperador Justiniano I condenou por decreto essas doutrinas, e o Segundo Concílio de Constantinopla (553) — Quinto Concílio Ecumênico — incluiu entre seus documentos quinze anátemas contra Orígenes, o primeiro dos quais reza: "Se alguém afirma a fabulosa preexistência das almas e a monstruosa restauração que dela segue, seja anátema". O nono desses anátemas condena especificamente a apocatástase: "Se alguém afirmar ou pensar que o castigo de todos os homens ímpios e dos demônios será temporário e que dele haverá um fim, isto é, que haverá uma restauração dos demônios ou dos homens ímpios: seja anátema". O concílio reuniu-se em Constantinopla de 5 de maio a 2 de junho de 553, convocado por Justiniano I e presidido pelo patriarca Eutíquio de Constantinopla; contou com cerca de 166 bispos, dos quais apenas dezesseis ocidentais (das províncias da África Proconsular e da Ilíria). Trata-se da condenação formal mais antiga de uma doutrina que fundamentava a ideia de renascimentos.

Na mesma linha, Padres do Ocidente já haviam refutado, nos séculos IV e V, formas de transmigração das almas então em circulação. Santo Agostinho dedicou parte de A Cidade de Deus (iniciada em 413 e concluída em 426, em 22 livros, após treze anos de trabalho) a afirmar que Deus criou o homem uma só vez no tempo e a negar a doutrina platônica da reminiscência e da metempsicose, defendendo em seu lugar a doutrina cristã da ressurreição dos corpos; nos livros XI e XII, ao tratar da origem da alma e do tempo, rejeita a ideia de almas que "lembram" de vidas anteriores. Também São Jerônimo e Santo Ambrósio se opuseram à preexistência das almas.

A alternativa que a fé católica propõe à reencarnação não é a extinção, mas a ressurreição da carne: não uma nova vida terrena repetida em outro corpo, e sim a vida definitiva, unida para sempre a Deus ou dela separada, conforme o juízo particular de cada um ao fim da única existência terrena. O Catecismo insere essa afirmação num contexto pastoral mais amplo: exorta os fiéis a se prepararem para a hora da morte e adverte contra a busca de consolo em supostas revelações espíritas, apresentadas como embuste que desvia o homem da tarefa de buscar a salvação.

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