Personagens Bíblicos
João Batista
Precursor de Jesus, filho de Isabel e Zacarias, que prega a conversão e batiza no Jordão (ver também a categoria Santos).

- Tipo
- Outra figura bíblica
- Testamento
- Novo Testamento
- Referência bíblica
- Lucas 1; 3
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Já biografado com mais detalhe na categoria Santos, João Batista merece aqui um registro específico como personagem-chave da narrativa bíblica que liga os dois Testamentos. Filho do sacerdote Zacarias e de Isabel, ambos já idosos e até então estéreis, seu nascimento é anunciado ao pai pelo anjo Gabriel no santuário do Templo; a incredulidade de Zacarias diante da notícia lhe custa a mudez até o dia da circuncisão do filho, quando confirma por escrito o nome dado pelo anjo — «João», «Deus é misericordioso» — e recupera a fala entoando o cântico do Benedictus (Lc 1,5-25.57-80). Ainda no ventre materno, João já reconhece a presença de Jesus, também concebido, «saltando de alegria» quando Maria visita Isabel no episódio da Visitação (Lc 1,39-45).
Adulto, retira-se ao deserto da Judeia, onde vive de gafanhotos e mel silvestre, vestido de pelo de camelo — figura que os Evangelhos associam deliberadamente ao profeta Elias e à voz que «clama no deserto: preparai o caminho do Senhor» anunciada por Isaías (Is 40,3; Mc 1,2-3). Sua pregação é de conversão radical, batismo de penitência no rio Jordão e denúncia sem meias palavras da hipocrisia religiosa e da injustiça social, atraindo multidões de toda a Judeia. Quando Jesus se apresenta para ser batizado por ele, João a princípio resiste, reconhecendo sua própria pequenez diante dele («eu é que preciso ser batizado por ti»), e no momento do batismo os céus se abrem, o Espírito desce como pomba e uma voz do céu proclama Jesus como Filho amado (Mt 3,13-17). É também João quem, ao vê-lo passar, o identifica publicamente como «o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo» (Jo 1,29.36), título que a liturgia católica repete em cada celebração eucarística antes da comunhão.
Sua franqueza profética o leva à prisão: denuncia publicamente a união entre o tetrarca Herodes Antipas e Herodíades, esposa de seu meio-irmão Filipe, por contrariar a Lei judaica, e Herodíades, ferida, planeja sua morte. É durante um banquete de aniversário de Herodes que a filha de Herodíades (tradicionalmente chamada Salomé, embora o nome não apareça nos Evangelhos) dança e agrada tanto ao tetrarca que este lhe promete, sob juramento, qualquer coisa que pedisse; instruída pela mãe, ela pede a cabeça de João Batista numa bandeja, e Herodes, constrangido diante dos convidados, ordena a decapitação (Mt 14,1-12; Mc 6,14-29). A tradição patrística viu em João não apenas o «último profeta» da antiga aliança, mas o «precursor mesmo na morte», antecipando pelo martírio o destino que aguardava o próprio Cristo. É venerado como o maior entre os nascidos de mulher, segundo as próprias palavras de Jesus (Mt 11,11).
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