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Personagens Bíblicos

Herodes, o Grande

Rei da Judeia sob domínio romano no tempo do nascimento de Jesus, responsável, segundo Mateus, pelo massacre dos Santos Inocentes.

Herodes, o Grande
Tipo
Rei
Testamento
Novo Testamento
Referência bíblica
Mateus 2

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Filho de Antípatro, um nobre idumeu convertido ao judaísmo, Herodes ascende ao trono da Judeia por nomeação do Senado romano em 40 a.C. e consolida o poder de fato apenas alguns anos depois, governando como rei cliente de Roma até sua morte em 4 a.C. — provavelmente pouco depois do nascimento de Jesus, o que situa esse evento historicamente antes da data convencional do calendário cristão. É documentado extensamente pelo historiador judeu Flávio Josefo (Antiguidades Judaicas e Guerra dos Judeus), que o retrata como governante hábil e eficiente, mas também extremamente cruel e paranoico com relação a qualquer ameaça a seu poder — chegou a mandar executar três de seus próprios filhos e uma de suas esposas, Mariamne, por suspeita de conspiração, levando o imperador Augusto a comentar, segundo a tradição, que era «mais seguro ser porco de Herodes do que seu filho» (trocadilho entre as palavras gregas hys, porco, e hyios, filho, alusivo também à sua observância judaica de não comer carne suína).

Seu reinado é lembrado historicamente por um extraordinário programa de obras públicas: reconstruiu em grande escala o Segundo Templo de Jerusalém, ampliando o Monte do Templo com a plataforma monumental cujos muros de contenção — entre eles o atual Muro das Lamentações — subsistem até hoje; ergueu o porto artificial e a cidade de Cesareia Marítima; fortificou a fortaleza-palácio de Massada, no deserto da Judeia, como refúgio pessoal; e construiu o Herodium, onde foi sepultado. Essas obras fizeram dele uma das figuras mais visivelmente marcantes da paisagem da Terra Santa até os dias de hoje.

No relato evangélico, Herodes aparece no episódio da visita dos magos do Oriente, que chegam a Jerusalém perguntando pelo «rei dos judeus» recém-nascido, guiados por uma estrela; perturbado com a notícia e temendo um rival ao trono, Herodes finge querer também adorar o menino, mas, avisado em sonho, os magos não retornam a ele, e o rei, «tomado de grande ira», ordena a morte de todos os meninos de Belém e arredores com até dois anos de idade — episódio que Mateus lê como cumprimento de uma profecia de Jeremias sobre o pranto de Raquel (Mt 2,1-18). Não há registro independente desse massacre em Josefo ou em outras fontes contemporâneas, o que leva parte dos historiadores a tratá-lo com cautela quanto à sua historicidade estrita; ainda assim, o episódio é plenamente coerente com o caráter violento e paranoico de Herodes amplamente documentado por outras fontes, e a Igreja celebra as vítimas como os Santos Inocentes, os primeiros mártires da era cristã, ainda que involuntários.

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